ONU Mulheres e Unicef lançaram em 21/07/2026 material com orientações para responsáveis sobre espaços online que promovem misoginia. O documento explica riscos para jovens e sugere como abrir diálogo em casa.
A ONU Mulheres e o Unicef lançaram, nesta terça-feira (21 de julho de 2026), um guia com orientações para famílias sobre os riscos da machosfera, que se refere a espaços nas redes sociais focados na masculinidade e que promovem a misoginia, ou seja, o desprezo e aversão contra mulheres e meninas. O documento, intitulado “No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis”, aborda o funcionamento da machosfera e seus impactos negativos na vida dos jovens, além de oferecer sugestões para promover o diálogo em casa.
Um levantamento realizado pela Revista AzMina e pelo Núcleo Jornalismo em 2025, mencionado pelas Nações Unidas, revela que a misoginia nas redes sociais afeta os adolescentes de forma gradual e disfarçada, frequentemente através de conteúdos de motivação e autoajuda.
A representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, destacou a urgência da conscientização sobre o tema. Ela afirmou:
“A machosfera é um desafio de toda a sociedade, com consequências reais para a segurança e a liberdade de mulheres e meninas. Este guia nasce para dizer aos pais e responsáveis que eles não estão sozinhos e que não precisam ter todas as respostas.”
Palayret também ressaltou a importância do ambiente familiar.
“Quando os adultos abrem espaço para conversas francas e sem julgamento, mostram aos meninos que respeito e igualdade também são coisa de time. É assim, dentro de casa, que começa a prevenção da violência.”
O guia detalha diversos pontos relevantes, incluindo:
- explicação dos principais grupos e termos da machosfera e como os algoritmos disseminam esse conteúdo entre os jovens;
- sinais de alerta para mudanças de comportamento e linguagem;
- dicas práticas de conversa, com perguntas para desenvolver o pensamento crítico sobre mídia, adaptadas por faixa etária;
- orientações específicas para apoiar meninas expostas a conteúdo misógino;
- caminhos para discutir igualdade de gênero no cotidiano.
O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, enfatizou a necessidade de que famílias, escolas e comunidades proporcionem referências positivas sobre a masculinidade. O objetivo é intervir durante o processo de formação da identidade dos adolescentes, evitando a exposição a conteúdos que perpetuem estereótipos e intolerância de gênero.
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