De setembro a outubro de 2026 a capital fará o 2º piloto do Programa Bike SP, que bonifica trajetos de bicicleta via Bilhete Único. USP e FGV lideram o estudo, com apoio de FAPESP, CNPq e Tembici.
A capital paulista vai sediar, de setembro a outubro de 2026, o 2º piloto do Programa Bike SP. A iniciativa oferece créditos no Bilhete Único para cidadãos que utilizarem a bicicleta em seus deslocamentos diários. Pesquisadores do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP e do FGV Cidades lideram o projeto, que visa avaliar o impacto do programa na mobilidade urbana.
O estudo é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e pela Tembici. O objetivo é subsidiar políticas públicas baseadas em evidências, em um momento em que a prefeitura estuda a regulamentação do programa. As inscrições podem ser realizadas até o dia 24 de agosto.
A proposta do projeto é entender, por meio de métodos científicos e dados reais, os comportamentos dos cidadãos em relação à mobilidade urbana. O piloto foi elaborado para ajudar a prefeitura a definir questões centrais para a implementação definitiva do Programa Bike SP, que espera a participação de cerca de 2.000 pessoas.
Podem se inscrever pessoas maiores de idade, residentes em São Paulo, que possuam celular Android, um Bilhete Único ativo e habilidade para pedalar. A inscrição requer a realização de um minicurso gratuito e obrigatório sobre segurança no trânsito.
Os participantes aprovados serão notificados por e-mail. O projeto busca atrair moradores que não utilizam a bicicleta diariamente para seus deslocamentos, com prioridade para aqueles das zonas Leste, Sul e Norte.
A partir de julho, os selecionados deverão baixar o aplicativo Bike SP (disponível apenas para Android) e registrar os endereços que mais utilizam como origem ou destino de suas viagens. Em setembro, o experimento começará de fato: até duas viagens de bicicleta por dia poderão gerar créditos no Bilhete Único, que serão validados nas máquinas de recarga física já disponíveis em terminais e estações de transporte público.
A Secretaria Municipal de Transportes nos procurou para embasar cientificamente a regulamentação do Bike SP. Nossa intenção ao transformá-lo em um projeto-piloto nas ruas foi utilizar o método científico para compreender como o programa e o software associado funcionariam em um ambiente real. Iremos extrair as respostas necessárias a partir da análise do comportamento dos ciclistas.
Essa declaração é de Fabio Kon, professor de ciência da computação do IME-USP, que coordena o piloto ao lado de Ciro Biderman, diretor e pesquisador do FGV Cidades. Biderman complementa que o piloto é uma oportunidade única para testar se a compensação financeira para ciclistas pode mudar padrões de mobilidade urbana.
A criação do Programa Bike SP se deu pela Lei Municipal 16.547/2016, que estabeleceu a possibilidade de remunerar ciclistas como forma de estimular a mobilidade ativa e reduzir o uso de transporte motorizado. No entanto, a política nunca foi regulamentada nem implementada em larga escala.
São Paulo vem ampliando sua malha cicloviária, que já é a maior do Brasil, com mais de 770 km. A meta da cidade é quintuplicar o número de ciclistas nas ruas até 2030, conforme o Plano de Ação Climática do Município de São Paulo 2020-2050. O piloto visa contribuir para alcançar esse objetivo.
A pesquisa é financiada pela Fapesp, CNPq e Tembici, e está associada ao EcoSustain, ao INCT ICoNIoT e ao FGV Cidades, Centro de Inovação em Políticas Públicas Urbanas.
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