Um levantamento com mais de 2.000 brasileiros, em parceria com o Instituto Locomotiva, mostra que muitos recorrem à IA para desabafar e buscar acolhimento. 30% já choraram ao conversar com IA e 60% dizem que isso reduz a solidão.
A inteligência artificial (IA) tem se tornado mais do que uma simples ferramenta para responder perguntas ou organizar tarefas. Uma pesquisa realizada com mais de 2 mil brasileiros, em parceria com o Instituto Locomotiva, mostrou que muitos já recorrem à IA para desabafar, buscar acolhimento e lidar com momentos difíceis. Essa mudança no comportamento revela uma nova dinâmica nas interações sociais.
Os dados da pesquisa indicaram que 30% dos entrevistados já choraram durante uma conversa com uma IA, e 60% afirmaram que essas interações ajudam a reduzir a sensação de solidão. Quando se trata de preferências, 41% dos homens preferem conversar com a IA, em comparação a 38% das mulheres, evidenciando uma tendência crescente de uso da tecnologia como um espaço de escuta permanente.
Segundo um especialista, a IA oferece características que podem tornar as interações mais confortáveis, como disponibilidade 24 horas, respostas imediatas e a ausência de julgamento. Essas qualidades contribuem para que os usuários se sintam mais à vontade para discutir questões íntimas.
“A tecnologia está disponível a qualquer hora do dia, responde imediatamente e não demonstra julgamento, o que faz muitos usuários se sentirem mais confortáveis”, afirma um neurocientista que participou do estudo.
Além disso, a pesquisa revelou que 58% dos brasileiros já compartilharam algo com uma IA que nunca revelaram a ninguém. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse número sobe para 72%, indicando que a geração mais conectada recorre mais à tecnologia como confidente. As mulheres, em particular, tendem a ter um vínculo emocional mais forte com a IA: 35% já choraram durante essas interações, em contraste com 25% dos homens. Entre as mulheres, 60% relataram sentir acolhimento ao conversar com a IA, enquanto esse índice é de 51% entre os homens.
Entretanto, essa dependência da IA para apoio emocional levanta preocupações. A pesquisa indicou que 58% dos brasileiros acreditam que a IA os compreende melhor do que pessoas próximas, e 40% preferem conversar com a tecnologia a com alguém real. Isso leva a um alerta sobre o risco de a IA substituir interações humanas. O neurocientista destaca que o problema não é a tecnologia em si, mas a possibilidade de ela ocupar o espaço das conversas e vínculos cotidianos.
Outro dado relevante é que 46% dos entrevistados já desconfiaram que uma mensagem recebida poderia ter sido escrita por IA. Além disso, 59% afirmaram que se sentiriam traídos se descobrissem que uma mensagem afetiva foi gerada por uma IA, em vez de ser escrita por uma pessoa próxima. Esse contraste evidencia que, apesar do crescente conforto em desabafar com uma máquina, ainda há uma expectativa por autenticidade nas relações pessoais.
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