Em 3 de agosto, decisão autorizou buscas e apreensões em 11 alvos, incluindo parentes do senador Weverton Rocha. A PF apura lavagem de dinheiro e organização criminosa que teria beneficiado o parlamentar.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a realização de buscas e apreensões contra 11 pessoas físicas e jurídicas, incluindo parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA), em uma decisão datada de 3 de agosto de 2026. A Polícia Federal (PF) investiga a participação do grupo em crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, que teriam como beneficiário o congressista.
A investigação revelou que o grupo atuaria para ocultar a origem de valores que poderiam estar relacionados a corrupção passiva no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente no que diz respeito a descontos em benefícios previdenciários.
De acordo com a representação da PF, o advogado Willer Tomaz de Souza é suspeito de ser o articulador de uma estrutura que funcionaria como um “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” para o senador. O esquema envolveria a fragmentação de recursos através de empresas formalmente distintas, contas pessoais e de familiares, além do uso de dinheiro em espécie para cobrir despesas pessoais e aquisição de bens de luxo.
Entre os bens investigados, destaca-se uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6 milhões, que teria sido adquirida por uma empresa de Willer Tomaz, mas que é considerada a residência de Weverton Rocha.
Em busca de respostas, a PF tentou entrar em contato com o gabinete do senador Weverton Rocha para saber se ele gostaria de se manifestar sobre a nova fase da operação Sem Desconto, mas não obteve retorno até a publicação deste conteúdo. O texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida.
A decisão do ministro André Mendonça também individualiza a conduta de alguns familiares do senador que são alvos da operação. Samya Lorene Rocha, sua esposa, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Willer Tomaz e participado de tratativas sobre imóveis e reformas. Anna Catarina Rocha, sua filha, é apontada como responsável pela gestão operacional e financeira de postos de combustíveis utilizados para a movimentação de valores e aquisição de propriedades rurais.
Além delas, Geyse Rocha Linhares e Shainess Marques de Sousa, suas irmãs, são suspeitas de administrar interesses patrimoniais e atuar como canais bancários para a redistribuição de recursos. A PF também identificou Fayla Zulmira Menezes como a operadora financeira do grupo, encarregada de controlar saldos e organizar entregas de dinheiro em espécie.
Outros alvos incluem empresários e sócios de empresas que realizaram repasses significativos ao núcleo familiar do senador, como a Qualitech Engenharia e a DJ Agropecuária. Na decisão, Mendonça definiu cautelas específicas para as buscas em escritórios de advocacia, como Aragão e Tomaz Advogados Associados e Willer Tomaz Advogados Associados. As diligências devem ser acompanhadas por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e se restringem estritamente aos fatos investigados, sendo proibida a análise de documentos ou dados de clientes que não estejam relacionados ao processo.
O ministro também autorizou o afastamento do sigilo de dados telefônicos de Willer Tomaz, para fins de localização geográfica durante a operação.
Por fim, o Poder360 tentou contato com o escritório Willer Tomaz Advogados Associados, associado a Willer Tomaz de Souza e Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, através de telefone e e-mail, para saber se gostariam de se manifestar sobre a Operação Sem Desconto. Foram feitas seis ligações telefônicas na manhã do dia 4 de agosto, e os escritórios Aragão e Tomaz Advogados Associados e Daniel Leite & Advogados Associados também foram procurados por e-mail. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta de nenhum dos citados.
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