Em sabatina, Caiado afirmou que enviará ao Congresso, no 1º dia de governo, projeto para anistiar condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Segundo ele, a medida busca 'pacificar o país' e tirar o tema do debate político.
O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), anunciou que, se eleito, enviará ao Congresso um projeto de anistia para os condenados pelos atos de 8 de Janeiro logo no primeiro dia de governo. Ele afirmou que a medida visa ‘pacificar o país’ e retirar o tema do debate político.
A declaração foi feita durante uma sabatina promovida por uma emissora de TV e um portal de notícias. Caiado ressaltou que a proposta de anistia fará parte de um conjunto de iniciativas que pretende encaminhar ao Legislativo assim que assumir a Presidência.
“Essa medida [anistia] não estará sozinha, estará junto a dezenas de medidas que tomarei, como várias reformas que trarei no meu 1º dia. Essa medida tem o sentido de pacificar o país. Nós não podemos mais conviver com o que estamos vivendo”, afirmou.
O ex-governador de Goiás acredita que a concessão da anistia permitirá que o governo e o Congresso foquem em outras questões importantes. Ele disse que a anistia ajudaria a desviar a atenção do tema, possibilitando uma nova fase de discussões relevantes para a população.
“Eu tenho a consciência de que, no momento em que eu promover a anistia, esse assunto sai da pauta e vamos viver um outro momento, de pautas que sejam relevantes para as pessoas”, declarou.
Além da anistia, Caiado planeja apresentar propostas de reforma administrativa e política, alterações na reforma tributária e uma revisão de aspectos da Previdência no início de seu governo.
“Eu tenho anistia, [lei] antiterrorismo, reforma administrativa, reforma política, revisão de pontos da reforma tributária. Eu vou trabalhar do dia 25 de outubro até o dia 1º com toda a equipe que estou montando para ter tudo isso para encaminhar no 1º dia”, disse.
Questionado sobre a caracterização dos atos de 8 de Janeiro como uma tentativa de golpe de Estado, Caiado não respondeu diretamente, mas comparou o episódio à anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que possibilitou sua candidatura nas eleições.
“Essa discussão da tentativa de golpe é a mesma que eu teria se realmente teve uma tentativa de golpe ao soltar o Lula. Teve uma tentativa de golpe em 8 de Janeiro? O Lula poderia ser liberado e ser candidato com tantas denúncias claras de assalto a tanto dinheiro?”, declarou.
Caiado enfatizou que a anistia representaria o fim desse capítulo e que novos atos de depredação seriam tratados de maneira diferente em seu governo. Ele também mencionou episódios anteriores de depredação em Brasília e manifestações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) para argumentar sobre a resposta do Estado a diferentes protestos.
Durante a sabatina, o candidato também manifestou a intenção de criar uma força policial integrada com os países da América do Sul que fazem fronteira com o Brasil, visando o compartilhamento de informações e a atuação conjunta de agentes policiais.
“Como presidente, eu vou fazer um périplo pelos países limítrofes com o Brasil. […] Eu quero criar essa polícia na América do Sul. Eu quero ter uma polícia que possa transitar”, disse.
Caiado defendeu ainda que organizações criminosas como o PCC e o CV sejam classificadas como grupos terroristas e se posicionou contra o uso de câmeras corporais por policiais, argumentando que isso limita a liberdade de atuação dos agentes em confrontos.
“Sem ela [a câmera], você dá liberdade para o policial ir ao confronto com o bandido. […] As pessoas têm que entender que nós estamos numa guerra hoje”, afirmou.
O candidato também abordou a necessidade de reduzir gastos públicos e realizar uma reforma administrativa, mas não detalhou quais despesas pretende cortar. Ele ressaltou que o equilíbrio fiscal pode coexistir com políticas sociais.
“O equilíbrio fiscal não briga de maneira alguma com as políticas sociais”, declarou.
Caiado ainda manifestou a intenção de limitar a destinação das emendas impositivas, priorizando recursos para projetos definidos pelo governo federal.
“Eu não posso ter 594 planos de governo”, afirmou. “Vou direcionar 100% nas obras de governo no meu plano de governo eleito pela população.”
O candidato finalizou destacando a importância da pacificação política, reafirmando seu compromisso de governar para a população e evitar conflitos.
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