Pela primeira vez desde 2002, partidos com assento no Congresso não têm mulheres em candidaturas ao Planalto. A nomeação de Alfredo Gaspar por Flávio Bolsonaro consolidou o quadro masculino entre os seis líderes.
A disputa pela Presidência da República em 2026 será a primeira deste século sem a presença de mulheres nas chapas dos partidos que possuem representatividade no Congresso Nacional. Desde 2002, ao menos uma mulher se candidatou ao Planalto ou participou da disputa pela vice-presidência em legendas competitivas.
Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL (Partido Liberal), anunciou na última quarta-feira (5) a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice. Essa decisão consolidou a presença exclusivamente masculina no pleito, onde todos os seis candidatos que lideram as pesquisas são homens, acompanhados por outros homens em suas respectivas chapas.
Das 13 candidaturas já confirmadas, as únicas mulheres que concorrem fazem parte de chapas não competitivas, de partidos sem representatividade no Congresso Nacional. A seguir, estão as chapas presidenciais para as eleições deste ano:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) + Geraldo Alckmin (PSB)
Flávio Bolsonaro (PL) + Alfredo Gaspar (PL)
Ronaldo Caiado (PSD) + Gilberto Kassab (PSD)
Renan Santos (Missão) + Aroldo Medina (Missão)
Romeu Zema (Novo) + Eduardo Girão (Novo)
Augusto Cury (Avante) + Júlio Delgado (Avante)
Leonardo Avalanche (PRTB) + Tenente Dalma (PRTB)
Samara Martins (UP) + Raquel Brício (UP)
Edmilson Costa (PCB) + Cleusa Santos (PCB)
Rui Costa Pimenta (PCO) + Antônio Carlos Silva (PCO)
Hertz Dias (PSTU) + Vanessa Portugal (PSTU)
Clariana Barão (DC) + Fabiana Torquato (DC)
Wilson Grassi (Democrata) + vice ainda não definido
Em eleições anteriores, desde 2002, ao menos um dos partidos competitivos lançou mulheres na posição de candidatas a presidente ou como vice em chapas. Em 2022, por exemplo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito, e das 13 candidaturas registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ao menos três partidos competitivos lançaram mulheres como candidatas: Simone Tebet (MDB) + Mara Gabrilli (PSB), Ciro Gomes (PDT) + Ana Paula Matos (PDT) e Soraya Thronicke (União) + Marcos Cintra (União).
No pleito de 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) foi eleito, quatro partidos competitivos também apresentaram mulheres como vice, além de Marina Silva (Rede), que foi candidata à Presidência. Em 2014, o Brasil elegeu novamente a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com outras duas mulheres participando da disputa por partidos representativos. Em 2010, Dilma foi a única mulher na corrida, e em 2006, apenas dois partidos lançaram chapas com mulheres.
Essa ausência de mulheres nas chapas competitivas em 2026 levanta questões sobre a representatividade feminina na política brasileira e o impacto disso nas futuras eleições.
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