China lançou o Tiangong e trouxe amostras do lado oculto da Lua; anunciou base permanente até 2040. Nos EUA, legisladores pedem nova corrida espacial e a NASA promete um posto lunar americano.
A competição pelo espaço, que se desenrola há décadas nos bastidores da geopolítica, agora ganha destaque com os avanços tecnológicos da China e a reação dos Estados Unidos. Nos últimos cinco anos, a China lançou o Tiangong, um laboratório orbital que rivaliza com a antiga Estação Espacial Internacional, e coletou amostras de solo do lado oculto da Lua, um feito inédito.
Com o plano da China de construir um assentamento permanente na Lua até 2040, os legisladores norte-americanos declararam a necessidade de uma nova corrida espacial. A NASA promete desenvolver um posto avançado lunar americano, intensificando a disputa entre as potências. O desenvolvimento do setor aeroespacial na China, no entanto, ocorre em grande parte em segredo, dificultando a avaliação de qual país está à frente na corrida.
Este ano poderá ser decisivo, especialmente com o polo sul lunar se tornando um foco ainda maior para ambos os países. A região é considerada crucial para as ambições espaciais, pois acredita-se que ali existam reservas de gelo de água, recurso vital que pode ser transformado em combustível, ar respirável e água potável, indispensáveis para a sustentação de um assentamento extraterrestre.
Tanto os Estados Unidos quanto a China planejam enviar robôs exploradores ao polo sul ainda este ano, preparando o terreno para futuras missões tripuladas. Os EUA contam com a colaboração do setor privado para desenvolver módulos de pouso robóticos, como o Griffin, que será enviado ao polo sul lunar no final de 2026, em uma missão financiada pela NASA.
Por sua vez, a China pretende lançar a missão robótica Chang’e-7 ainda neste mês, utilizando quatro veículos robóticos distintos para coletar dados sobre o gelo lunar. Essa missão incluirá ferramentas para perfurar e analisar o gelo, algo que os EUA só planejam tentar no ano seguinte.
“Se o gelo de água lunar for localizado com sucesso, isso poderá reduzir significativamente o custo e o tempo necessários para transportar água da Terra, facilitando o estabelecimento de uma base humana para atividades de longo prazo na Lua”, afirmou Tang Yuhua, vice-chefe de projeto da missão Chang’e-7.
A iminente onda de atividades no Polo Sul lunar, em um cenário com escassas regulamentações internacionais, intensifica o drama entre as duas nações, assemelhando-se à rivalidade da Guerra Fria. Os pousos da NASA na Lua, naquela época, buscavam demonstrar a superioridade da tecnologia ocidental sobre o comunismo oriental.
Agora, com um objetivo mais ambicioso de estabelecer assentamentos permanentes, os riscos dessa nova corrida espacial são significativamente maiores. Clayton Swope, vice-diretor do Projeto de Segurança Aeroespacial do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, destaca que a visão de longo prazo levará gerações para se concretizar.
“É um cenário em que pessoas nascem e crescem em um lugar que não é a Terra — isso se parece muito mais com uma cidade do que com uma expedição ao Polo Sul”, comentou Swope.
O futuro das colônias extraterrestres e suas possíveis governanças, com base em ideais ocidentais e princípios democráticos, permanece uma incógnita. As ambições espaciais da China, impulsionadas pelo líder Xi Jinping, são vistas como parte de um sonho maior de transformar o país em uma potência global em ciência e tecnologia.
“O ritmo da exploração espacial humana é infinito”, declarou Xi em um discurso de 2020. “Passo a passo, vocês embarcarão em uma nova jornada de exploração interestelar.”




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