A pressão sobre Osmar Stabile aumentou na madrugada de sexta-feira (14), quando torcedores do Corinthians protestaram em frente à residência do presidente do clube. Os manifestantes exibiram faixas com mensagens como “Intervenção judicial Já”, “Fora ratos”, “Acabou a paz” e “MP ajuda a Fiel”.
O ato ocorreu poucos dias depois de Stabile anunciar, na terça-feira (11), que não renovaria o contrato do atacante Memphis Depay. Apesar de haver um acordo inicial entre as partes para a extensão do vínculo, a saída do jogador provocou forte reação da torcida nas redes sociais, e a hashtag #ForaStabile se tornou um dos assuntos mais comentados no X.
Além das faixas, informações pessoais do presidente foram divulgadas nas redes sociais, o que aumentou a tensão em torno do caso. Na quarta-feira (12), o Movimento Libertação Já lançou um abaixo-assinado que pede intervenção judicial no Parque São Jorge e a saída de Stabile, em continuidade à campanha “Expulsão Já”, que havia reunido mais de 50 mil assinaturas em abril contra ex-presidentes do clube.
O caso Memphis no centro da crise
A situação do atacante se tornou um dos principais focos da crise política no Corinthians. O jogador demonstrou interesse em discutir uma nova proposta e permanecer no clube. Na negociação frustrada, Memphis aceitou reduzir o salário e congelar uma dívida de R$ 42 milhões que o clube tinha com ele. Embora o acordo tivesse o aval dos departamentos financeiro, jurídico, de futebol e de marketing, Stabile decidiu não assinar, alegando a necessidade de preservar a saúde financeira da instituição.
Agora, o Corinthians teme uma cobrança integral dos valores do contrato não cumprido, que pode chegar a R$ 180 milhões, e avalia retomar as negociações com o atacante para evitar a execução da dívida. Nos últimos dias, conselheiros que antes defendiam a saída do jogador passaram a considerar que um acordo seria benéfico ao clube, enquanto o grupo próximo a Stabile mantém apoio à decisão de não renovar.
O técnico Fernando Diniz também defendeu a permanência de Memphis e afirmou que seria ótimo contar novamente com o jogador. A pressão sobre o presidente, porém, vai além do caso do atacante: a organizada Gaviões da Fiel já havia se reunido com ele em diversas ocasiões para exigir mais transparência na gestão, e Alexandre Domenico, presidente da torcida, havia antecipado uma “grande onda” de protestos para a semana.
A SAFiel, outro grupo que pressiona a diretoria, apresentou uma proposta para assumir o controle do futebol do Corinthians, mas não recebeu resposta. A crise financeira do clube — déficit de R$ 143,4 milhões em 2025 e dívida bruta de R$ 2,7 bilhões — também alimenta a insatisfação da torcida. O time ainda cumpre três transfer bans da Fifa, que impedem o registro de novos jogadores.
Em quase dois anos de Corinthians, Memphis disputou 79 partidas, marcou 20 gols e deu 15 assistências. Sua saída se tornou um símbolo da pressão sobre Stabile.
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