Um golfinho-nariz-de-garrafa de mais de 200 kg foi encontrado encalhado e sem vida em 11 de agosto de 2026 em Mongaguá, no litoral de São Paulo. O caso despertou o interesse de moradores e visitantes da região pela espécie.
A bióloga marinha Larissa Uema destacou que o golfinho-nariz-de-garrafa é a maior espécie de golfinho com populações residentes no Brasil e pode atingir até 3,8 metros de comprimento. O animal encontrado em Mongaguá foi identificado como um macho adulto de 3,12 metros, segundo o Instituto Biopesca.
Cada golfinho-nariz-de-garrafa tem um assobio característico, conhecido como signature whistle, que funciona como uma espécie de apelido. Embora a espécie não seja considerada ameaçada de extinção, algumas populações brasileiras enfrentam vulnerabilidades por causa do tamanho reduzido dos grupos.
“Presenciei e registrei um grupo de golfinhos-nariz-de-garrafa que nadou junto com três baleias-jubarte. Essa interação já é conhecida pela ciência”, afirmou Larissa Uema.
Segundo a bióloga, durante a interação os golfinhos se posicionam nas laterais ou à frente das baleias, aproveitando a energia de propulsão gerada por esses grandes mamíferos marinhos.
Reprodução lenta e alimentação
Larissa Uema explicou que os golfinhos-nariz-de-garrafa não têm um período específico de acasalamento e podem se reproduzir ao longo de todo o ano. A fecundação é interna e a gestação dura cerca de 12 meses, em geral com um único filhote. Depois do parto, o intervalo entre as gestações pode chegar a seis anos, o que aumenta a vulnerabilidade da espécie.
Como levam mais de dez anos para atingir a maturidade sexual, esses golfinhos ficam mais sensíveis à extinção em razão da baixa taxa de reprodução. Na alimentação, segundo a bióloga, predominam peixes, lulas e polvos, com variações na dieta conforme a disponibilidade de alimento em cada região.
Em Ilhabela, a pesquisadora observou golfinhos se alimentando de tainhas e de outros peixes, o que reforça a importância da conservação do habitat desses animais. As populações brasileiras de golfinho-nariz-de-garrafa podem ser residentes, como as de Ilhabela, ou oceânicas, encontradas a mais de mil quilômetros da costa, como as da Ilha de São Pedro, no Nordeste.
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