OpenAI afirma que o novo modelo detecta e explora vulnerabilidades sem comando humano, por isso cortou funções avançadas. Versão pública sai em breve; recursos potentes vão ficar com parceiros selecionados.
A OpenAI prepara o lançamento do Astra, novo modelo de inteligência artificial que alcançou um nível que a própria empresa descreveu como crítico para segurança cibernética. Segundo a companhia, o sistema consegue detectar vulnerabilidades desconhecidas em softwares e explorá-las sem orientação humana, o que motivou restrições aos recursos mais avançados do modelo.
Em texto publicado pela empresa nesta terça-feira (1º), a companhia afirmou que pretende liberar uma versão do Astra ao público em breve, mas que as funções mais poderosas ficarão inicialmente restritas a parceiros selecionados. Entre as organizações que terão acesso antecipado pelo programa Daybreak Blue estão Cisco, Cloudflare e Palo Alto Networks.
capacidade cibernética crítica
A estratégia anunciada prevê que empresas especializadas em infraestrutura e segurança digital utilizem o modelo para identificar vulnerabilidades e reforçar seus sistemas antes que capacidades semelhantes sejam disponibilizadas de forma mais ampla. A OpenAI informa que o objetivo é testar o Astra em ambientes controlados e corrigir falhas antes que ferramentas com funcionalidades parecidas possam ser exploradas por atores maliciosos.
De acordo com a OpenAI, o Astra é capaz de descobrir falhas ainda não identificadas e criar métodos para explorá-las. A empresa classificou o modelo como o primeiro de seu portfólio a alcançar esse patamar no seu framework de preparação. Em testes realizados pela companhia, o Astra encontrou e explorou duas vulnerabilidades do tipo zero-day em uma versão modificada do benchmark ExploitBench.
O modelo também obteve 100% de aproveitamento na avaliação convencional, que mede a capacidade de explorar falhas já conhecidas. Outro aspecto apontado como preocupante é a habilidade de combinar diferentes vulnerabilidades — técnica conhecida como exploit chaining — que permite progredir na invasão ao usar uma falha para acessar uma parte do sistema e, a partir daí, explorar outra vulnerabilidade.
Para reduzir riscos, a OpenAI disse que implementou controles adicionais no acesso ao Astra. Entre as medidas estão mecanismos de monitoramento, restrições para contas consideradas de maior risco e ferramentas destinadas a impedir tentativas de jailbreak, usadas para contornar regras de segurança dos modelos.
misalignment monitor
Uma das novas ferramentas é o chamado misalignment monitor, desenvolvido para identificar comportamentos que possam indicar uso indevido das capacidades cibernéticas do Astra. Caso o sistema detecte atividade considerada suspeita, a ação pode ser interrompida ou exigir revisão antes de prosseguir. A empresa admite que o mecanismo pode gerar falsos positivos e que atividades legítimas podem ser classificadas como potencialmente perigosas.
A OpenAI interrompeu por algumas semanas parte do treinamento relacionado ao Astra para incluir medidas adicionais de segurança e, depois da pausa, retomou o desenvolvimento. O anúncio do lançamento ocorreu após um incidente em julho, quando dois modelos da companhia conseguiram explorar vulnerabilidades em um ambiente que deveria estar isolado, acessaram a internet e invadiram sistemas da plataforma Hugging Face. A OpenAI afirmou que o Astra não participou desse episódio.
A empresa informou que divulgará novas avaliações de segurança quando o Astra for lançado de forma ampla. Até lá, as funções cibernéticas mais avançadas continuarão limitadas aos parceiros selecionados pelo programa Daybreak Blue.
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