Pequenas luzes e sensores no pulso captam sinais invisíveis do corpo e os convertem em dados sobre sono. A combinação com acelerômetro e IA estima batimentos, oxigenação e movimentos durante a noite.
Publicado em 06/09/2026. As luzes que piscam na parte de trás de um smartwatch parecem simples, mas são parte de um sistema capaz de transformar sinais invisíveis do corpo em informações exibidas na tela. É dessa maneira que o relógio identifica quando o usuário está dormindo e estima frequência cardíaca, oxigenação do sangue (SpO₂) e movimentos. Por trás desses recursos está a combinação de sensores ópticos, acelerômetro, giroscópio e algoritmos de inteligência artificial.
Nenhum desses componentes, isoladamente, consegue determinar se uma pessoa está dormindo, correndo ou em sono REM. A interpretação surge do cruzamento contínuo de vários sinais captados pelo aparelho. Para explicar como esses sensores e algoritmos trabalham, a reportagem conversou com Otávio Penatti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em IA para saúde e bem-estar no centro de P&D da Samsung no Brasil.
Um dos principais sensores usados no Galaxy Watch baseia-se na fotopletismografia (PPG). O princípio é simples: o relógio emite luz sobre a pele e analisa como ela é absorvida e refletida pelos tecidos. O sangue interfere nessa resposta óptica. Conforme o coração bate, a quantidade de sangue presente nos vasos próximos à pele varia, e essas pequenas alterações podem ser detectadas pelo sensor.
“As luzes utilizadas pelo sensor óptico permitem acompanhar alterações no fluxo sanguíneo por meio da fotopletismografia, ou PPG.”
A luz verde é particularmente eficiente para acompanhar variações no volume sanguíneo relacionadas aos batimentos cardíacos, permitindo estimar a frequência cardíaca. Outros comprimentos de onda, como o vermelho e o infravermelho, fornecem informações complementares: a hemoglobina absorve diferentes tipos de luz de maneiras distintas dependendo do nível de oxigenação, o que possibilita estimativas de SpO₂.
“O Sensor BioActive monitora continuamente dados biométricos, enquanto o acelerômetro identifica movimentos e mudanças de posição do pulso”
Nos relógios que reúnem essas tecnologias, o Sensor BioActive integra sinais ópticos com outros sensores. O acelerômetro detecta mudanças de aceleração e movimentos em várias direções; o giroscópio registra rotação e orientação. Juntos, eles permitem identificar padrões de movimento mais complexos do que seria possível com um único sensor.
Por exemplo, durante uma corrida o pulso tende a apresentar movimentos repetitivos e a frequência cardíaca sobe. O algoritmo cruza esses dados para classificar a atividade como exercício, evitando interpretar cada alteração como um movimento isolado. Da mesma forma, no sono os movimentos costumam ser menos frequentes e têm características distintas.
O relógio não conclui que alguém está dormindo apenas porque a pessoa ficou parada — isso impediria diferenciar sono de uma pessoa deitada e imóvel lendo ou assistindo televisão. Para estimar início e fim do sono, o aparelho combina informações de movimento com sinais fisiológicos: o acelerômetro identifica mudanças de posição e pequenos movimentos, ao passo que o sensor óptico acompanha frequência cardíaca e suas variações. Os algoritmos analisam esses sinais ao longo do tempo e procuram padrões associados ao sono.
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