Pesquisa Pisa 2025 da OCDE revela que quase metade dos alunos usa chatbots ao menos uma vez por semana. Apesar da adoção da IA, o desempenho do Brasil segue abaixo da média internacional.
O uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) já integra a rotina de estudo de uma parcela significativa de adolescentes no Brasil. Segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes 2025 (Pisa), divulgados nesta terça-feira (8/9) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 48% dos estudantes do país utilizam chatbots de IA pelo menos uma vez por semana em atividades escolares.
O desempenho brasileiro nas avaliações continuou abaixo das médias internacionais, e os dados sobre o uso de IA mostram uma adoção maior do que a registrada na média dos países da OCDE. O índice brasileiro supera em dois pontos percentuais a média entre os países do bloco, que ficou em 46%.
O levantamento detalha também as finalidades mais frequentes para as quais os estudantes recorrem às ferramentas de IA. A principal utilização identificada no Brasil está relacionada à busca inicial de informações sobre temas desconhecidos pelos alunos. Nesse tipo de atividade, 40% dos estudantes brasileiros afirmaram recorrer à IA para fazer pesquisas preliminares e compreender novos assuntos. Entre os países da OCDE, a proporção foi menor, de 31%.
Os números do Pisa 2025 indicam, portanto, tanto uma difusão considerável das tecnologias baseadas em IA entre estudantes quanto diferenças de comportamento em relação ao restante dos países avaliados. Enquanto quase metade dos jovens brasileiros consultam chatbots de forma regular, a pesquisa sugere que a principal função dessas ferramentas, no país, tem sido o auxílio na etapa inicial da aprendizagem — a busca por informação e compreensão preliminar de conteúdos.
O relatório, além de mapear o uso de IA, manteve o foco nas competências avaliadas pelas provas internacionais, que continuam a apontar desafios no desempenho dos estudantes brasileiros. Os dados sobre frequência de uso e finalidade das ferramentas digitais poderão ser considerados por gestores educacionais e escolas ao definir políticas e práticas pedagógicas que integrem recursos tecnológicos.
Os resultados do Pisa 2025 abrem espaço para debates sobre formação de professores, alfabetização digital e estratégias de mediação do uso de IA em sala de aula. As estatísticas divulgadas nesta terça-feira (8/9) oferecem um retrato do cenário atual e servem como referência para acompanhar a evolução do uso de tecnologias entre alunos nas próximas edições da avaliação.




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