IA já integra rotinas digitais e pode ampliar desinformação, deepfakes e microtargeting nas Eleições 2026. TSE e especialistas adotam medidas para detectar abusos e proteger o processo eleitoral.
A inteligência artificial é um ponto de atenção muito importante nas Eleições Gerais de 2026 no Brasil. Cada vez mais enraizada na rotina digital dos brasileiros, a tecnologia é usada para checar notícias e criar conteúdos, mas também apresenta potencial negativo durante o pleito.
A IA já era presente durante as eleições municipais de 2024, mas esta é a primeira vez que aparece como protagonista no processo para eleger presidente, deputados, governador e senadores. Vale lembrar que o ChatGPT foi lançado após o segundo turno das eleições de 2022.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu regras sobre o uso dos assistentes durante as eleições, mas ainda existem preocupações sobre fake news e outros impactos negativos. O principal problema envolve a desinformação: conteúdos falsos em período eleitoral não são novidade, mas a inteligência artificial consegue produzi-los em larga escala e ampliar a distribuição.
Uma simples montagem em vídeo pode ser feita em alguns segundos e ser compartilhada nas redes sociais, por exemplo. Ainda que o post original seja derrubado, isso abre brecha para que outros materiais do mesmo tipo sejam criados e replicados rapidamente.
O Diretor Sênior de IA e Inovação da empresa de cibersegurança Norton, Iskander Sanchez-Rola, explica que o ritmo acelerado das IAs é um problema no período eleitoral.
“A IA mudou a velocidade e o alcance com que a desinformação pode se espalhar. Durante as eleições, conteúdos enganosos podem ganhar atenção rapidamente e influenciar a forma como as pessoas compreendem uma questão antes mesmo de terem a chance de verificar as informações. Isso torna ainda mais importante fazer uma pausa antes de compartilhar algo, verificar de onde veio a informação e conferir se outras fontes confiáveis estão divulgando o mesmo conteúdo. Uma regra simples: se você não consegue verificar a informação, não tenha pressa em compartilhá-la”.
Por outro lado, a própria IA também é apontada como ferramenta para combater a desinformação. Assistentes e sistemas podem ajudar a verificar conteúdos, comparar versões e indicar fontes que ajudem na checagem.
“Ela pode ajudar a explicar o que está sendo dito, destacar detalhes que merecem uma análise mais cuidadosa e indicar fontes que as pessoas podem consultar e verificar por conta própria. Isso pode ser especialmente útil quando o volume de informações é tão grande que se torna difícil analisar cada afirmação em profundidade”.
Algumas ferramentas já oferecem funções específicas: o Gemini permite verificar se um vídeo ou imagem foi criado com inteligência artificial do Google, enquanto o Claude pode incluir uma marca d’água invisível em textos.
Dicas para não compartilhar conteúdos falsos feitos por IA
- Verifique a mesma informação várias vezes antes de postar.
- Procure sinais de manipulação em imagens e vídeos, como distorções, sombras estranhas ou movimentos não naturais.
- Consulte diferentes fontes sobre o mesmo tema para confirmar a veracidade.
- Desconfie de links suspeitos e mensagens que tentem gerar senso de urgência.
- Analise textos que pareçam genéricos ou repetitivos; alguns sinais podem indicar geração por IA.
Mesmo com regras eleitorais e ferramentas de detecção, especialistas e autoridades mantêm preocupação com a velocidade e o alcance das ferramentas de IA durante o período eleitoral. A atenção individual — checar, pausar antes de compartilhar e recorrer a fontes confiáveis — segue sendo recomendada como medida prática contra a propagação de conteúdo enganoso.

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