Sem tempo, ela alugou um sítio em São Roque, chamou músicos da época de A Outra Banda da Lua e passou dez dias tocando, compondo e gravando. A desaceleração virou o terceiro disco solo e impulsionou sua carreira.
Antes dos 400 milhões de streams havia uma dificuldade mais simples: faltava tempo para fazer música. A carreira de Marina Sena cresceu, a agenda aumentou e a rotina de passar horas com um violão ou ensaiar sem hora para terminar ficou para trás. Para começar o terceiro disco solo, a cantora decidiu recuperar justamente esse tempo perdido.
Ela alugou um sítio em São Roque (SP), chamou músicos que conhecia desde a época de A Outra Banda da Lua e passou dez dias tocando, compondo e gravando. O resultado dessa desaceleração virou o álbum Coisas Naturais, que um ano e quatro meses depois do lançamento ultrapassou a marca de 400 milhões de reproduções no Spotify, tornando-se o disco mais ouvido da carreira da artista na plataforma.
“Tive que buscar a inocência do começo”
Marina falou dessa ideia não como um resgate nostálgico, mas como um método: a busca pela Marininha de Taiobeiras e pela experiência de tocar em banda que marcaram sua formação em Montes Claros. O trabalho nasceu desse reencontro sem, porém, tentar reconstruir o passado. Janluska assumiu a direção musical e o repertório aproximou violão, percussão e banda de reggaeton, funk, bossa nova, pop-rock e brega.
A proposta de não repetir fórmulas já estava anunciada antes do público ouvir o disco. Ao apresentar o projeto, a artista afirmou ser alguém de quem “não se pode esperar nada específico”. Depois de De Primeira (2021) e do ambiente mais urbano e eletrônico de Vício Inerente (2023), o terceiro disco não voltou à estreia nem progrediu em linha reta a partir do segundo: representou outra movimentação na carreira.
O primeiro sinal da nova fase saiu em 4 de dezembro de 2024, quando Numa Ilha foi lançado como single. A canção circulou por quase quatro meses antes do disco completo. Quando Coisas Naturais chegou às plataformas, em 31 de março de 2025, o início foi expressivo: cerca de 4 milhões de reproduções no Spotify no primeiro dia, todas as 13 faixas simultaneamente entre as cem mais ouvidas do Brasil e a sexta maior estreia mundial da semana na plataforma.
“Ter meu álbum lá me valida de certa forma”
O álbum recebeu indicações importantes em premiações e teve boa repercussão crítica, com comentários sobre seu amadurecimento lírico e melódico e menções entre os lançamentos que marcaram 2025. Comercialmente, a trajetória do disco também se consolidou ao longo do tempo: singles, shows, prêmios e indicações mantiveram o repertório em circulação, permitindo que o projeto envelhecesse em público em vez de desaparecer rapidamente diante de novos lançamentos.
Linha do tempo de “Coisas Naturais”
- 4 dez. 2024: Lançamento do single “Numa Ilha”, primeiro sinal da nova fase.
- 31 mar. 2025: Lançamento do álbum “Coisas Naturais”; cerca de 4 milhões de streams no Spotify no primeiro dia e as 13 faixas entram no Top 100 brasileiro.
- 17 set. 2025: Álbum e a faixa “Ouro de Tolo” recebem indicações ao Grammy Latino.
- 9 dez. 2025: “Numa Ilha” vence Pop do Ano no Prêmio Multishow; “Lua Cheia” também estava entre os indicados.
- 13 ago. 2026: O álbum ultrapassa 400 milhões de streams no Spotify e se torna o mais reproduzido da carreira da artista na plataforma.
Em uma cultura de feeds que empurra sempre a próxima música, o álbum que nasceu do esforço de recuperar tempo também conquistou tempo para si mesmo. Ao envelhecer em público, Coisas Naturais seguiu gerando motivos para retorno: desde o lançamento do single até prêmios e indicações, a construção do repertório permitiu que o disco se mantivesse relevante e alcançasse a marca de 400 milhões em agosto de 2026.
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