Pular para o conteúdo principal
Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Pular para o conteúdo
Economia

Bets cortam consumo e tiram até R$141 bi do PIB em 2025

Estudo da USP apontou que bets reduziram entre R$120 bi e R$141 bi do PIB em 2025, com perda de arrecadação entre R$31,1 bi e R$54,8 bi.

15/09/2026 · 00h00 · Atualizado às 15h24
Bets cortam consumo e tiram até R$141 bi do PIB em 2025

Pesquisa do Made/FEA-USP aponta que apostas reduziram o consumo e drenaram R$120–141 bi da economia em 2025. Isso equivale a 0,9%–1,1% do PIB e a 40%–50% do crescimento previsto.

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP), revelou que as apostas conhecidas como bets reduziram o consumo e retiraram da atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões em 2025. Esse montante equivaleria a 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do ano.

Publicidade

“Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Mesmo levando em conta as estimativas dos empregos diretos e indiretos criados associados às bets, o quadro praticamente não muda”

O estudo apontou ainda que a redução da atividade econômica decorrente das apostas poderia resultar em perda de arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões. Em seguida, os pesquisadores avaliaram o efeito líquido sobre as contas públicas quando descontada a receita diretamente captada pelas plataformas de apostas.

“Descontando os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas ainda seria negativo em, no mínimo, R$ 22 bilhões, podendo chegar a até R$ 46 bilhões”

Segundo os pesquisadores, esses valores representaram entre 10% e 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública em São Paulo em 2025, o que indica que, apesar da arrecadação direta gerada pelas bets, a perda de atividade econômica compensou muito mais essa receita.

Você pode se interessarConteúdo patrocinado · MGID

O estudo considerou também o impacto sobre o endividamento das famílias. Os pesquisadores estimaram que, se o saldo do crédito para pessoa física aumentou cerca de R$ 450 bilhões e se a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões tivesse sido financiada por novo crédito — hipótese considerada extrema — isso corresponderia a cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025.

Os autores avaliaram ainda efeitos na distribuição de renda. Levando em conta que o 1% mais rico concentra cerca de 24% de toda a renda do país, a transferência de recursos das famílias para as bets teria aumentado a concentração de renda desse grupo entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebeu os lucros das casas de aposta.

“No primeiro caso, apenas retiramos os R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base, enquanto no segundo adicionamos esse valor para o 1% mais rico. Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada”

Publicidade

Os pesquisadores concluíram que, do ponto de vista macroeconômico, o problema das apostas não se limita a efeitos individuais: ao reduzir renda das famílias, especialmente as de menor poder aquisitivo, as bets podem aumentar a desigualdade, reduzir a demanda agregada, afetar o PIB de maneira relevante e deteriorar a arrecadação e as contas públicas.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Recomendado para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
Mais conteúdos para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Sugeridas pra vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
3 min de leitura

Pesquisa do Made/FEA-USP aponta que apostas reduziram o consumo e drenaram R$120–141 bi da economia em 2025. Isso equivale a 0,9%–1,1% do PIB e a 40%–50% do crescimento previsto.

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP), revelou que as apostas conhecidas como bets reduziram o consumo e retiraram da atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões em 2025. Esse montante equivaleria a 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do ano.

“Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Mesmo levando em conta as estimativas dos empregos diretos e indiretos criados associados às bets, o quadro praticamente não muda”

O estudo apontou ainda que a redução da atividade econômica decorrente das apostas poderia resultar em perda de arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões. Em seguida, os pesquisadores avaliaram o efeito líquido sobre as contas públicas quando descontada a receita diretamente captada pelas plataformas de apostas.

“Descontando os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas ainda seria negativo em, no mínimo, R$ 22 bilhões, podendo chegar a até R$ 46 bilhões”

Segundo os pesquisadores, esses valores representaram entre 10% e 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública em São Paulo em 2025, o que indica que, apesar da arrecadação direta gerada pelas bets, a perda de atividade econômica compensou muito mais essa receita.

O estudo considerou também o impacto sobre o endividamento das famílias. Os pesquisadores estimaram que, se o saldo do crédito para pessoa física aumentou cerca de R$ 450 bilhões e se a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões tivesse sido financiada por novo crédito — hipótese considerada extrema — isso corresponderia a cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025.

Os autores avaliaram ainda efeitos na distribuição de renda. Levando em conta que o 1% mais rico concentra cerca de 24% de toda a renda do país, a transferência de recursos das famílias para as bets teria aumentado a concentração de renda desse grupo entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebeu os lucros das casas de aposta.

“No primeiro caso, apenas retiramos os R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base, enquanto no segundo adicionamos esse valor para o 1% mais rico. Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada”

Os pesquisadores concluíram que, do ponto de vista macroeconômico, o problema das apostas não se limita a efeitos individuais: ao reduzir renda das famílias, especialmente as de menor poder aquisitivo, as bets podem aumentar a desigualdade, reduzir a demanda agregada, afetar o PIB de maneira relevante e deteriorar a arrecadação e as contas públicas.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Publicidade

EM ALTA AGORA