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Aracaju, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Saúde

Adolescentes procuram ajuda em grupos após viciar em apostas online

Cresce o número de jovens que buscam ajuda por dependência em apostas online; relatos de perdas financeiras, impacto na saúde mental e dados sobre exposição precoce.

21/09/2026 · 09h53
Adolescentes procuram ajuda em grupos após viciar em apostas online

A busca por grupos como Jogadores Anônimos sobe entre adolescentes e jovens viciados em apostas online. Luiz Carlos diz que chegam desde 14 anos, às vezes acompanhados por psiquiatra; há relatos de perdas financeiras graves.

Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para largar a dependência de apostas online, aponta Luiz Carlos*, integrante do grupo de apoio Jogadores Anônimos. Segundo ele, já é comum encontrar adolescentes a partir dos 14 anos procurando suporte para conter o vício.

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“Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos.”

O crescimento do problema também é ilustrado por relatos pessoais. Gustavo Pereira, 24 anos, começou a apostar online aos 18 e, em seis anos, diz ter perdido cerca de meio milhão de reais. Ele descreve ganhos expressivos e perdas subsequentes que agravaram a compulsão e a perda da noção do valor do dinheiro.

“Ganhava muito bem na época, já fiz R$ 10 mil virarem R$ 300 mil, já fiz bancas inimagináveis, fiz R$ 10 mil virarem R$ 200 mil, R$ 240 mil, e perdi tudo. Então o dinheiro começou a perder valor para mim, eu comecei a perder a dimensão do dinheiro, na minha conta não tinha todo aquele valor, mas lá na bet tinha, e o vício faz isso, te enche de ganância.”

Gustavo conta que está há cerca de dois meses sem apostar e tenta recomeçar a vida vendendo café nas ruas de Lages (SC). Ele mantém um perfil nas redes sociais onde compartilha o trabalho nas ruas e estratégias para evitar recaídas.

“Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar. Nestes seis anos, eu enfrentei muitas coisas, mudei com a depressão, uma síndrome do pânico, e graças a Deus eu me libertei disso. Hoje vendo café na rua e, se estou aqui, foi graças a Deus, à minha fé, me apeguei nas pessoas que amo, consegui superar isso, e hoje meu propósito de vida é ajudar pessoas.”

Especialistas destacam que a facilidade de acesso às plataformas pelo celular amplia a exposição de crianças e adolescentes às apostas. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) de 2021 indicam que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos online até os 11 anos de idade, e que esse índice sobe para 78% a partir dos 12 anos.

Pesquisa divulgada neste ano pela Frente Parlamentar Mista de Educação, com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio, apontou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Entre alunos do 3º ano do ensino médio, quase metade relatou ter feito apostas.

Estudo do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) também alerta que canais voltados ao público infantil exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais.

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“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte.”

Essa avaliação é da psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, que explica a base neurobiológica da maior vulnerabilidade dos jovens ao apelo das apostas.

Veterano em tratamento, Luiz Carlos lembra que, antigamente, era preciso sair de casa para jogar. Hoje, a oferta está no aparelho móvel, o que facilita o contato contínuo com as apostas.

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“Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje não precisa mais, você carrega um cassino dentro do seu bolso.”

O relacionamento entre compulsão e endividamento aparece em relatórios recentes. O IBICT concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em 2024, e que quase metade desse total ficou endividada. Na prática, há muitos relatos de perdas financeiras e impactos na saúde mental entre quem recorreu ao grupo Jogadores Anônimos.

“Começaram a comprometer o meu orçamento, dificultar o pagamento das minhas contas, comecei a comprometer a minha renda.”

O depoimento é de Rogério*, frequentador do grupo, que diz ter sido surpreendido pela escalada do problema. Segundo informações do próprio grupo, há participantes em diferentes fases de abstinência: Luiz Carlos está há 15 sem jogar; Carla Xavier*, Rogério* e outros relataram períodos de afastamento do vício que variam de meses a mais de um ano.

“Quanto mais você aposta ou quanto mais você gasta recursos com a aposta, menos você terá recursos para o seu futuro. E o descontrole aumenta o risco.”

A declaração é do diretor do IBICT, Tiago Braga, que lembra que apostas não constituem investimento, mas gasto que pode comprometer o planejamento financeiro e a saúde das famílias.

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A busca por grupos como Jogadores Anônimos sobe entre adolescentes e jovens viciados em apostas online. Luiz Carlos diz que chegam desde 14 anos, às vezes acompanhados por psiquiatra; há relatos de perdas financeiras graves.

Cada vez mais jovens têm buscado ajuda para largar a dependência de apostas online, aponta Luiz Carlos*, integrante do grupo de apoio Jogadores Anônimos. Segundo ele, já é comum encontrar adolescentes a partir dos 14 anos procurando suporte para conter o vício.

“Hoje quem chega à irmandade é muito jovem. Já chegou até de 14 anos acompanhado pelo psiquiatra. Mas chegam jovens de 15, 16, 19, 20 anos, até 30, 35 anos.”

O crescimento do problema também é ilustrado por relatos pessoais. Gustavo Pereira, 24 anos, começou a apostar online aos 18 e, em seis anos, diz ter perdido cerca de meio milhão de reais. Ele descreve ganhos expressivos e perdas subsequentes que agravaram a compulsão e a perda da noção do valor do dinheiro.

“Ganhava muito bem na época, já fiz R$ 10 mil virarem R$ 300 mil, já fiz bancas inimagináveis, fiz R$ 10 mil virarem R$ 200 mil, R$ 240 mil, e perdi tudo. Então o dinheiro começou a perder valor para mim, eu comecei a perder a dimensão do dinheiro, na minha conta não tinha todo aquele valor, mas lá na bet tinha, e o vício faz isso, te enche de ganância.”

Gustavo conta que está há cerca de dois meses sem apostar e tenta recomeçar a vida vendendo café nas ruas de Lages (SC). Ele mantém um perfil nas redes sociais onde compartilha o trabalho nas ruas e estratégias para evitar recaídas.

“Eu dormia pensando em apostar e acordava pensando em apostar. Nestes seis anos, eu enfrentei muitas coisas, mudei com a depressão, uma síndrome do pânico, e graças a Deus eu me libertei disso. Hoje vendo café na rua e, se estou aqui, foi graças a Deus, à minha fé, me apeguei nas pessoas que amo, consegui superar isso, e hoje meu propósito de vida é ajudar pessoas.”

Especialistas destacam que a facilidade de acesso às plataformas pelo celular amplia a exposição de crianças e adolescentes às apostas. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) de 2021 indicam que uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar em jogos online até os 11 anos de idade, e que esse índice sobe para 78% a partir dos 12 anos.

Pesquisa divulgada neste ano pela Frente Parlamentar Mista de Educação, com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio, apontou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Entre alunos do 3º ano do ensino médio, quase metade relatou ter feito apostas.

Estudo do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) também alerta que canais voltados ao público infantil exploram a falta de maturidade financeira de crianças e adolescentes para promover apostas ilegais.

“O adolescente sente intensamente o prazer de ganhar uma aposta, mas ele, em contrapartida, ainda não dispõe do aparato para frear o impulso da aposta seguinte.”

Essa avaliação é da psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia, que explica a base neurobiológica da maior vulnerabilidade dos jovens ao apelo das apostas.

Veterano em tratamento, Luiz Carlos lembra que, antigamente, era preciso sair de casa para jogar. Hoje, a oferta está no aparelho móvel, o que facilita o contato contínuo com as apostas.

“Graças a Deus eu não jogo hoje, porque, se eu jogasse, estava perdido. Na minha época, a gente tinha que sair de casa para jogar. Hoje não precisa mais, você carrega um cassino dentro do seu bolso.”

O relacionamento entre compulsão e endividamento aparece em relatórios recentes. O IBICT concluiu que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em 2024, e que quase metade desse total ficou endividada. Na prática, há muitos relatos de perdas financeiras e impactos na saúde mental entre quem recorreu ao grupo Jogadores Anônimos.

“Começaram a comprometer o meu orçamento, dificultar o pagamento das minhas contas, comecei a comprometer a minha renda.”

O depoimento é de Rogério*, frequentador do grupo, que diz ter sido surpreendido pela escalada do problema. Segundo informações do próprio grupo, há participantes em diferentes fases de abstinência: Luiz Carlos está há 15 sem jogar; Carla Xavier*, Rogério* e outros relataram períodos de afastamento do vício que variam de meses a mais de um ano.

“Quanto mais você aposta ou quanto mais você gasta recursos com a aposta, menos você terá recursos para o seu futuro. E o descontrole aumenta o risco.”

A declaração é do diretor do IBICT, Tiago Braga, que lembra que apostas não constituem investimento, mas gasto que pode comprometer o planejamento financeiro e a saúde das famílias.

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