O novo jogo traz combates sólidos e captura facial impressionante após duas décadas de hiato. Porém, a narrativa fraca e travamentos pontuais comprometem a imersão.
Quando o primeiro Onimusha chegou ao PlayStation 2 em 2000, ele deixou boa impressão graças aos gráficos, ao ritmo de gameplay e aos combates. Essa memória cria uma expectativa alta para Onimusha: Way of the Sword, o mais recente título da franquia que esteve sem jogos principais por duas décadas.
A Capcom já tem sucessos lançados em 2026. Além de Resident Evil Requiem e Pragmata, o novo game de samurai tem potencial para entrar na lista de títulos bem-sucedidos do estúdio, mas traz ressalvas: problemas que chegam a ser incômodos em alguns pontos.
Prós
- Captura facial: de impressionar, mas só em alguns momentos
- Combate: muito refinado e realmente agradável
- Sistema de progressão: simples, mas eficaz
Contras
- Cutscenes secundárias: personagens com pouquíssima expressão
- Ambientação: repetitiva
- Dificuldade: aquém desse tipo de jogo
- História: desinteressante
A narrativa do novo Onimusha não se destaca. As intenções do antagonista são rasas, o que torna a trama desinteressante. O desenvolvimento de personagens também deixa a desejar: o protagonista Miyamoto Musashi é apresentado como alguém emburrado, solitário e sarcástico — traços que, em certos momentos, tornam suas falas repetitivas, sobretudo nos combates.
Há contraste técnico entre cenas principais e diálogos secundários. O jogo apresenta algumas das expressões faciais mais bem-feitas já vistas em títulos com movimentação realista dos lábios, mandíbula e bochecha. Porém, em diálogos secundários, muitos personagens praticamente só abrem e fecham a boca, o que quebra a imersão.
O combate é o grande destaque de Onimusha: Way of the Sword. Diferente dos jogos anteriores, há um sistema mais próximo do estilo de Sekiro, com ênfase em aparar ataques (o famoso parry), pois isso evita que sua postura seja quebrada e o deixe vulnerável. Inimigos comuns têm sequências simples, mas chefes e elites exigem deflexões para expor uma janela de ataque.
O item que carrega a Onimusha — a luva que absorve almas e torna o personagem mais forte — mantém ataques especiais atrelados a uma barra dedicada. Essas habilidades causam dano e quebram a postura dos inimigos; algumas são mais indicadas para alvos singulares, outras para área, adicionando dinamismo às lutas.
A variedade de inimigos é limitada: nas primeiras horas tudo parece novo, mas logo surgem variações dos mesmos oponentes e os padrões ficam decorados. A dinâmica de exploração é centrada em Quioto, onde a liberação de áreas depende da destruição de Fendas, portais que evocam ondas de inimigos — frequentemente duas — e que aparecem tanto em missões principais quanto em favores para cidadãos. Algumas Fendas têm chefes que retornam com frequência, o que contribui para a sensação de repetição.
Existem missões externas à região principal, o que acrescenta diversidade, mas o loop de gameplay em Quioto tende a se repetir com o tempo. No PC, o título é visualmente atraente na maior parte do tempo; suas falhas visuais mais notáveis ocorrem em diálogos menos importantes, com personagens quase sem movimentação labial, e texturas que não carregam.
A sorte de Onimusha: Way of the Sword é que o combate é muito bom, então é possível relevar essas questões — Raphael Giannotti
No balanço final, Onimusha: Way of the Sword entrega um combate bem trabalhado e uma progressão funcional, mas esbarra em storytelling fraco, ambientação repetitiva e inconsistências visuais que comprometem a experiência em alguns momentos.
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