Aos 25 anos, a cubana nascida em Havana lança o disco de estreia com dez faixas que mesclam pop alternativo, jazz e música eletrônica. O álbum explora identidade, liberdade e ecos do repertório urbano cubano.
Nesta sexta-feira (25), a cantora de 25 anos Melanie Santiler lança Los Cisnes, álbum de estreia composto por dez faixas que transitam entre o pop alternativo, o jazz e a música eletrônica. Nascida em Havana, a artista traz no disco reflexões sobre identidade, liberdade e a sua relação com Cuba, sem abandonar referências do repertório urbano da ilha.
O trabalho inclui músicas que misturam elementos do movimento surgido nos bairros cubanos, como “Gataza”, “Delincuente” e “Los Repas No Lloran”. A artista reconhece a presença desses sons ao longo do projeto e mostrou ter experimentado variações de ritmo e tom para incorporar tradições locais ao seu próprio universo sonoro.
“O reparto é uma inspiração constante na minha música”
A cantora relatou que, ao longo da carreira, costumava produzir um reparto de andamento mais lento e que agora o ritmo evoluiu com as sonoridades que tem ouvido.
“Eu costumava produzir um reparto de ritmo lento, mas agora é mais rápido e evoluiu com os sons que tenho ouvido. Em ‘Los Repas’, eu até me atrevi a fazer um reparto ‘triste’ misturado com letras de bolero.”
Além das referências urbanas, o repertório de Los Cisnes registra influências de artistas e estilos diversos, entre eles Rosalía, C. Tangana, Yomil y el Dany, Buena Vista Social Club e Celia Cruz. Mais do que reunir referências, o álbum funciona como um registro do processo de Melanie para entender sua identidade artística.
“Na verdade, essa sempre foi a Melanie. Precisei moldar essa persona no início da minha carreira, tentando me encontrar, acima de tudo, mas este álbum me dá a chance de mostrar quem eu realmente sou, por completo”
Melanie afirma ter escrito entre 80% e 90% das faixas, com contribuições dos produtores. Algumas canções a acompanharam por anos: “Azabache” foi a primeira que compôs, há seis anos, e só ganhou lugar no disco agora. A ideia de consolidar essas músicas em um projeto maior ganhou força após uma viagem a Madri, em novembro do ano passado, quando a cantora se sentiu estimulada a pensar além do formato de singles.
Entre as faixas mais pessoais está a canção-título, “Los Cisnes”, gravada com Carlos Varela. A composição, escrita anos atrás, trata da relação da artista com Cuba e incorpora o hino nacional cubano em tom menor.
“Não é uma das músicas mais recentes do álbum, mas continua muito relevante em todos os aspectos. Cantá-la com Carlos Varela é um sonho realizado”
“Sempre usei as músicas para expressar meus pensamentos e comunicar o que preciso dizer. Esta sempre será a minha resposta para qualquer pergunta sobre o meu país. Eu disse tudo em ‘Los Cisnes’”
Melanie não quer ser enquadrada apenas como uma promessa da música latina; ela busca registrar um momento de dúvidas e transformação, em que a sinceridade sobre seu ponto de vista vale mais do que rótulos ou expectativas externas.
“Não quero que as pessoas me ouçam porque sou a promessa. Gostaria que me ouvissem para encontrar alguém que fala verdades do seu ponto de vista e que tenta ser extremamente sincera consigo mesma”
“É essa busca por identidade e liberdade, e até mesmo pelo que significa ser cubano para mim, enquanto compreendo que não há respostas para algumas questões muito importantes”
“É um álbum sobre o processo, e não sobre fazer uma descoberta definitiva.”
Los Cisnes encerra com a faixa “Rezo”, que reforça a ideia de continuidade na busca por respostas, em vez de apresentar uma conclusão definitiva. Escute Los Cisnes de Melanie Santiler a partir desta sexta-feira (25).
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