Criada em 2022 por Amanda Bimbatti, a iniciativa reaproveita roupas com reparos e intervenções criativas. Hoje reúne sete parceiras em Tatuí e transforma peças em coleções colaborativas, movimentando a moda circular.
Por que uma roupa que já existe precisa ser necessariamente substituída por uma nova? Foi a partir dessa inquietação que nasceu, em 2022, em Tatuí (SP), a XiQ Consciente, criada por Amanda Bimbatti. Ao perceber que muitas peças ainda tinham qualidade e potencial, ela começou a enxergar novas possibilidades para roupas que poderiam ser descartadas.
Reparos e intervenções criativas evoluíram para coleções desenvolvidas com artesãs e costureiras da região, reunindo técnicas como pintura, bordado, crochê, macramê e costura criativa. Hoje, a rede conta com sete parceiras — cinco artesãs e duas costureiras — e já desenvolveu mais de 15 coleções, que movimentaram mais de R$ 15 mil.
A relação de Amanda com o Sebrae começou antes da criação da XiQ, em iniciativas de empreendedorismo feminino. Com o negócio estruturado, a aproximação ampliou conexões e conhecimentos sobre economia circular e ESG, inclusive com a participação no Fórum Conexão Circular, em 2025, com apoio do Sebrae Sorocaba.
Essa parceria nos ajudou a perceber que ESG e circularidade não são conceitos distantes da realidade de um pequeno negócio
Em 2026, Amanda venceu a etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, ampliando a visibilidade da XiQ e de seu modelo de impacto. É por isso que Amanda define a XiQ como um “ecossistema de MEI”, entendendo que o reconhecimento alcançado pertence também à rede de mulheres que participa das coleções e ajuda a construir o modelo.
A pessoa não está apenas levando uma roupa. Ela está ajudando a manter uma peça em circulação, fortalecendo uma cadeia local e valorizando o trabalho de uma mulher que colocou conhecimento, tempo e criatividade naquilo que está levando para casa.
O impacto começa pela forma como as roupas circulam. Mais de 8 mil peças já foram comercializadas pela XiQ e todo material recebido passa por uma triagem: cerca de 10% seguem para as coleções e comercialização; 20% são destinados à Loja Social, onde mulheres atendidas pela Justiça Restaurativa de Tatuí podem escolher gratuitamente roupas para si e para os filhos; e 70% seguem para reaproveitamento e reciclagem.
Trabalhamos para que uma peça tenha múltiplas possibilidades antes de ser considerada resíduo
Quando possível, peças sem condições de venda são remanufaturadas e transformadas em novos produtos, como bolsas. A circularidade também passa pelas pessoas: a proposta é ampliar esse movimento e preparar artesãs e costureiras que já dominam seus ofícios para se tornarem multiplicadoras, ensinando outras mulheres em situação de vulnerabilidade.
Estamos começando a construir uma cadeia em que o conhecimento circula tanto quanto a roupa
A mesma lógica chega a outros pequenos negócios de Tatuí. Criada pela XiQ, a Feira Jardim das Relíquias é realizada a cada três meses e reúne brechós, sebos, antiquários e pequenos empreendedores, com espaços para que eles comercializem diretamente seus produtos. Até agora, a iniciativa já movimentou cerca de R$ 50 mil em vendas.
Para Amanda, mais importante do que o valor isolado é fazer com que o recurso circule: uma pessoa conhece uma empreendedora, compra dela, descobre outro negócio e mantém renda e oportunidades dentro da própria cidade.
Não queremos que a XiQ cresça isoladamente. Queremos que ela cresça fortalecendo as pessoas que estão ao redor.
No campo nacional, os pequenos negócios têm papel central na economia: são mais de 24,19 milhões de CNPJs — o que representa mais de 96% das empresas ativas — e o setor responde por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Há mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais (MEI), 8,8 milhões de microempresas (ME) e 1,8 milhão de empresas de pequeno porte (EPP) em todo o país.
O segmento é celebrado no Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, em 5 de outubro, e inspira campanhas de valorização do comércio local. Somente em 2026, o Brasil já registrou a abertura de mais de 4 milhões de novos pequenos negócios. A contribuição para a economia também se dá pela geração de empregos: em média, 80% dos empregos gerados estão no setor. Ao decidir comprar em um pequeno negócio, o consumidor contribui para a circulação de dinheiro dentro da própria comunidade, a geração de mais vagas de trabalho e o desenvolvimento local.

LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

