A segurança das urnas envolve inspeção do código, testes públicos, assinatura digital, hashes e auditorias no dia da votação. Em 4 de setembro o TSE assinou e lacrou os programas de 2026 depois de liberar o código.
A segurança da urna eletrônica depende de várias camadas de controle aplicadas antes, durante e depois da votação. Entre os mecanismos usados estão a inspeção do código-fonte por entidades fiscalizadoras, testes públicos de segurança, assinatura digital dos programas, verificação por hashes, o funcionamento da urna sem conexão à internet e auditorias realizadas no dia da eleição.
Nas Eleições 2026, os sistemas que serão usados no pleito foram assinados digitalmente e lacrados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 4 de setembro. Antes disso, os códigos ficaram disponíveis para inspeção por entidades fiscalizadoras desde outubro de 2025.
A lógica adotada é criar diferentes controles que possam ser verificados de forma independente. Hesron Hori, especialista em segurança da informação, explica que operações críticas precisam combinar prevenção, fiscalização e testes, em vez de depender de uma única barreira.
Proteção começa antes de a urna chegar à seção. Uma das primeiras etapas ocorre no desenvolvimento dos sistemas eleitorais: em 2026, oito entidades inspecionaram os códigos-fonte, entre elas o Senado Federal, o Ministério Público Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Sociedade Brasileira de Computação (SBC).
Os programas também passam pelo Teste Público de Segurança, no qual investigadores procuram vulnerabilidades nos sistemas. Em maio, participantes retornaram ao TSE para o Teste de Confirmação, que tem por objetivo verificar se as correções e melhorias identificadas anteriormente foram implementadas. Segundo o tribunal, nenhum dos achados verificados nesta etapa comprometeu o sigilo ou a integridade do voto.
Após os testes, os programas são compilados, assinados digitalmente e lacrados. A assinatura permite verificar a autenticidade dos softwares que serão utilizados, enquanto a lacração encerra o desenvolvimento das versões destinadas à eleição. Complementarmente, são gerados hashes — pequenas sequências matemáticas extraídas dos arquivos — que mudam caso qualquer arquivo seja alterado. Com isso, entidades fiscalizadoras podem comparar os programas instalados nas urnas com as versões oficialmente lacradas pelo TSE.
A urna usada para registrar o voto funciona isolada de redes e não depende de internet durante a votação, segundo o TSE. A transmissão dos resultados ocorre posteriormente: depois do encerramento da votação, os dados são retirados da urna por meio da mídia de resultado e enviados à Justiça Eleitoral por sistemas próprios. Mesmo quando redes de telecomunicações são utilizadas nessa etapa, o tribunal afirma que os provedores atuam apenas como meio de transporte e que o conteúdo é protegido por criptografia.
No dia da eleição há checagens adicionais. Antes de receber o primeiro voto, cada urna imprime a zerésima, documento que identifica o equipamento e registra que nenhum candidato possui votos naquele momento; essa zerésima é assinada pelos responsáveis da seção e pelos fiscais presentes. Também é aplicado o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, por amostragem: urnas selecionadas submetem-se a uma votação controlada, com escolhas previamente registradas em cédulas de papel e depois comparadas com o resultado eletrônico.
Em urnas escolhidas para auditoria é possível verificar os hashes dos programas instalados e validar suas assinaturas digitais antes da emissão da zerésima. Ao final da votação, cada equipamento emite o Boletim de Urna (BU), que mostra quantos votos cada candidatura recebeu naquela seção, além de votos brancos, nulos e o total de comparecimento. O boletim é impresso e disponibilizado na seção e traz um QR Code que pode ser lido pelo aplicativo Boletim na Mão para comparar o documento físico com os dados eletrônicos. O calendário eleitoral de 2026 determina ainda que o TSE publique os boletins recebidos para totalização, permitindo a conferência entre os resultados divulgados e os documentos produzidos por cada urna.
O conjunto dessas medidas cria múltiplos pontos de fiscalização ao longo do processo, desde o software que será instalado até o resultado produzido em cada seção eleitoral.
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