Redes sociais viraram mar de memes que colocam famosos em vídeos populares com IA. De Enzo Fernández a Migos e clipes políticos no segundo turno, explicamos como os deepfakes são feitos.
As redes sociais ficaram repletas de memes nas últimas semanas em que figuras famosas são inseridas em vídeos populares. A tendência usa inteligência artificial para trocar os personagens e ainda manter a alta qualidade de imagem.
Alguns dos exemplos mais conhecidos são a comemoração do jogador de futebol Enzo Fernandez durante a Copa do Mundo e uma apresentação do grupo de hip-hop Migos. A proximidade do segundo turno das eleições também rendeu clipes com políticos brasileiros.
A seguir, explicamos o procedimento por trás desses vídeos virais e como as ferramentas costumam operar.
Como os vídeos funcionam?
Os clipes usam uma técnica frequentemente chamada de Motion Swap (“troca de movimento”, em tradução livre). Nesse procedimento, a inteligência artificial identifica o personagem principal em um vídeo de referência e substitui seus movimentos pelo de outra pessoa. Além da troca dos movimentos, o recurso pode alterar cenários ou roupas dos elementos presentes, conforme o modelo e os templates disponíveis.
O fluxo típico começa com o envio de uma foto da pessoa que será inserida no vídeo. A ferramenta gera então várias imagens estáticas daquele rosto ou modelo e, a partir delas, cria uma versão em movimento em 3D. Muitos aplicativos oferecem uma galeria de templates prontos para reduzir a necessidade de criar prompts complexos.
Quais ferramentas são usadas?
Entre as plataformas citadas no mercado para esse tipo de criação estão Ausar.ai, Creathoon e a brasileira Real Oficial. Essas soluções não dependem de um único modelo: combinam modelos de vídeo e imagem de diferentes fornecedores e escolhem a opção considerada mais adequada para cada tarefa.
O Ausar.ai, por exemplo, menciona o uso de modelos de empresas como Seedance, Kling, OpenAI e outras ferramentas de IA no processo de geração.
É gratuito?
Não. A maior parte das plataformas baseia a produção de vídeos e imagens em um sistema de créditos acessados por planos pagos. Como essa criação exige grande poder computacional e consumo de tokens de IA, as versões completas e de maior qualidade ficam normalmente restritas a assinaturas ou pagamentos por crédito.
Cuidado com os deepfakes
Os vídeos chamam a atenção por preservar detalhes das fotos enviadas, mas também há um alerta para o uso indevido em deepfakes — tentativas de golpes ou de constranger uma pessoa com conteúdos criados por IA. Embora muitos clipes circulem como memes, é importante ter cautela ao gerar e publicar esse tipo de material nas redes sociais.
Há técnicas e sinais para identificar se um vídeo foi criado com IA, e quem compartilha ou produz esse conteúdo deve considerar os riscos legais e éticos envolvidos.
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