Após estrear como 'princesa' aos 19, Hathaway fugiu do typecasting e escolheu papéis ousados. Ela diz que a interpretação de Jane Austen em Amor e Inocência (2007) a incomoda até hoje.
Um dos maiores receios de atores é ficar preso a um tipo de personagem — o chamado typecasting — e muitos buscam decisões de risco para escapar dessa armadilha. Foi nesse contexto que Anne Hathaway, que estreou como uma ‘princesa’ aos 19 anos, optou por diversificar sua carreira. No entanto, uma atuação do início da trajetória passou a incomodá‑la: sua performance como Jane Austen em Amor e Inocência (2007).
O filme dramatiza o relacionamento atribuído a Jane Austen e Thomas Lefroy, evento que teria ocorrido em 1776 e terminado sem casamento — o parceiro ter-se‑ia casado anos depois e tido sete filhos. Para estudiosos e leitores da obra da autora, a releitura do episódio no longa altera um dos pontos mais lembrados sobre Austen: a condição de mulher do século XVIII que, segundo registros, não se casou nem teve filhos.
Amor e Inocência estreou em 2007, dois anos após a elogiada adaptação de Orgulho e Preconceito (2005), de Joe Wright. A película de 2007 seguiu uma linha romântica e ficcionalizada que remete ao melodrama entre personagens como Elizabeth Bennet e Sr. Darcy.
A escalação de uma atriz americana para interpretar uma escritora inglesa também gerou críticas: a pronúncia e o sotaque de Hathaway foram apontados como pontos fracos, assim como a própria construção da personagem, considerada por parte do público e da crítica como exagerada em alguns trechos.
A atriz comentou sobre o filme:
“É difícil para mim falar sobre esse filme porque sinto que não consegui interpretá‑lo da melhor forma. Havia algumas cenas em que eu estava over.”
Depois dessa experiência, Hathaway reconduziu a carreira com êxito: foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por O Casamento de Rachel (2008) e venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2013 por Os Miseráveis.
Nos anos seguintes, embora não tenha parado de atuar, o número de projetos de grande repercussão diminuiu temporariamente. A perspectiva, porém, mudou em 2026. Este ano tem sido considerado como um período de retomada para a atriz, com cinco produções lançadas e três delas se destacando nas bilheterias: Verity (2026), O Diabo Veste Prada 2 (2026) e Odisseia (2026).
Em Verity, adaptação do bestseller de Colleen Hoover, Hathaway vive uma escritora de sucesso que perde a capacidade de trabalhar após um acidente; o enredo inclui a contratação de uma ghost writer pelo marido para manter a aparência de produção literária. Apesar de críticas negativas, o filme teve bom desempenho comercial.
Em O Diabo Veste Prada 2, ela retoma o papel de Andy, agora em um longa com tom mais melancólico e reflexões sobre a crise no jornalismo e mudanças no mercado editorial. No épico Odisseia, dirigido por Christopher Nolan, Hathaway interpreta Penélope, figura que aguarda Odisseu por mais de 20 anos, e já surge como cotada a uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.
Confira a seguir o trailer de ‘Amor e Inocência’, ponto baixo da filmografia de Anne Hathaway, segundo ela mesma.

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