Vereador criticou a desapropriação de terreno privado para a construção de um cemitério público na capital e questionou os motivos do decreto municipal.
A polêmica envolvendo a desapropriação do terreno da TV Atalaia para a construção do novo cemitério público de Aracaju ganhou um novo capítulo. Durante a sessão da Câmara Municipal nesta quarta-feira (4), o vereador Fábio Meireles (PDT) subiu ao púlpito para criticar duramente a gestão municipal e rebater as declarações da prefeita Emília Corrêa, que havia classificado o anúncio do projeto sem consulta prévia à população como uma “falha de comunicação”.
Para o parlamentar, a atitude do Executivo municipal não se resume a um simples erro de diálogo com os moradores. “Não foi uma falha de comunicação. Foi uma falta de cuidado e de zelo. […] É uma falta de zelo e de cuidado, para não dizer uma falta de vergonha com a gestão pública do município de Aracaju”, disparou Meireles, comparando a situação ao recente episódio envolvendo a compra dos ônibus elétricos da capital.
Questionamentos sobre o terreno
Durante o seu discurso, o vereador questionou a decisão da prefeita de desapropriar e adquirir uma área particular pertencente ao empresário Augusto Franco Neto. Segundo Meireles, não há justificativa plausível para a compra, uma vez que a prefeitura já possui terrenos próprios avaliados pela gestão anterior e atual, que constam, inclusive, nos autos da ação civil pública sobre o tema.
Decreto e embate político
Subindo o tom das críticas, Meireles sugeriu que a publicação do decreto municipal 8.920, que trata da área para o cemitério, teria sido uma reação política à recente inauguração do Mirante do Santo Antônio, obra de revitalização turística entregue pelo Governo do Estado na última quinta-feira.
Segundo o vereador, a ação da prefeitura teria sido motivada por “inveja”, impactando negativamente os moradores daquela região. “A prefeita Emília, e falo da gestão de forma geral, bateu a inveja, misturado com outros sentimentos que eu não posso provar. […] Porque aí decreta o decreto 8.920 e esse decreto caiu no colo de você, morador do Santo Antônio, você, morador do Bairro Industrial, Palestina, Cidade Nova e de toda aquela região que engloba ali”, argumentou.
O embate no Legislativo reflete as tensões em torno das decisões de planejamento urbano da capital sergipana e os desafios da nova gestão municipal no diálogo com as comunidades afetadas por grandes obras.
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