Máquina responde a comandos de voz e aprende em tempo real, como um cirurgião iniciante evoluindo sob orientação

Sistema conseguiu retirar uma vesícula biliar (Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock)
Nesta quarta-feira (9), a equipe da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, anunciou um marco inédito: o robô Surgical Robot Transformer‑Hierarchy (SRT‑H) conduziu, de forma totalmente autônoma, a remoção de uma vesícula biliar de um paciente humano — sem qualquer intervenção direta de médicos. A operação foi supervisionada por comandos de voz em tempo real, com a máquina ajustando seus movimentos conforme orientações da equipe, como se fosse um cirurgião novato aprendendo com um mentor.
O SRT‑H foi anteriormente treinado apenas com vídeos de cirurgias em cadáveres (de porco), aprendendo padrões e técnicas com precisão. Durante o procedimento real, identificou dutos e artérias, posicionou clipes e realizou cortes com tesouras cirúrgicas. Mesmo diante de cenários adversos — como alteração na posição de início do dispositivo e aplicação de corantes semelhantes ao sangue — o robô reagiu de forma autônoma e precisa, demonstrando robustez em condições imprevistas.
Esse avanço representa um passo decisivo em relação a sistemas anteriores, como o STAR (Smart Tissue Autonomous Robot), que, em 2022, realizou uma cirurgia laparoscópica em porco num ambiente altamente controlado, com marcações prévias nos tecidos e sem autonomia real.

Sistema foi testado apenas com vídeos (Imagem: SWKStock/Shutterstock)
Segundo Axel Krieger, roboticista médico da Johns Hopkins, “Esse avanço nos move de robôs que executam tarefas cirúrgicas específicas para robôs que realmente entendem os procedimentos cirúrgicos”. Ji Woong “Brian” Kim, coautor do estudo, ressaltou que os modelos de IA demonstraram ser confiáveis o suficiente para autonomia cirúrgica, algo antes considerado distante — mas agora comprovavelmente viável.
O robô realizou com sucesso três tarefas-chave — manipulação de agulha, elevação de tecido corporal e sutura — em segundos. Já a remoção da vesícula envolveu 17 etapas complexas, mostrando capacidade de adaptação em tempo real e aprendizado a partir de comandos como “aperte o clipe” ou “ajuste o braço um pouco à esquerda”.

Jeff Jopling, cirurgião da Johns Hopkins e coautor do trabalho, comparou o aprendizado do robô ao desenvolvimento de residentes cirúrgicos, destacando a modularidade e o progresso gradual do sistema. Para Krieger, esta é uma “prova de conceito” da viabilidade de automação de procedimentos complexos com alto grau de precisão e adaptabilidade.
Próximos passos: a equipe pretende expandir o uso do SRT‑H para outros tipos de cirurgias, visando alcançar um sistema completamente autônomo capaz de operar integralmente sem auxílio humano.
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