Economistas destacam impacto das tarifas de 50% dos EUA e mantêm cautela; projeções indicam cortes possivelmente a partir de dezembro ou início de 2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, encerrando um ciclo de sete aumentos consecutivos. A decisão, unânime, foi tomada no último dia 30 e reforça a postura cautelosa diante de pressões externas – em especial a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros – e da persistente elevação da inflação.
Economistas avaliam que o comunicado do Copom refletiu um cenário de crescimento moderado, com mercado de trabalho ainda robusto, mas enfatizando maior incerteza externa. O informe menciona as tarifas dos EUA, embora sem detalhamento, o que frustraria expectativas de maior clareza sobre os efeitos futuros no IPCA.
Tarifas dos EUA e incerteza global
A novidade apontada por analistas foi a menção expressa à tarifa dos Estados Unidos de 50% sobre importações brasileiras. Essa medida provocou alertas sobre os efeitos potenciais sobre inflação e crescimento econômico, reforçando a necessidade de manter uma política monetária restritiva por mais tempo.
Leonardo Costa, do ASA, ressaltou que o Banco Central reafirmou uma postura de cautela e não descartou retomar o ciclo de alta se o cenário externo pressionar a inflação. Marcelo Bolzan, da The Hill Capital, destacou que foi prudente do Copom sinalizar o acompanhamento próximo dos impactos dessas tarifas.
Mercado interno ainda aquece
A manutenção da Selic também se justificou pelo desempenho sólido do mercado de trabalho e pela inflação de serviços ainda sem sinais de desancoragem, segundo Raphael Vieira, da Arton Advisors. O comunicado incluiria ainda uma advertência sutil ao Ministério da Fazenda sobre a importância de manter uma política fiscal crível.
Horizonte prolongado e projeções de inflação
O comunicado indicou ainda que a Selic permanecerá elevada por um “período bastante prolongado”, estendendo o horizonte de análise para o primeiro trimestre de 2027. Nesse cenário, foi projetado um IPCA de 3,4% no primeiro trimestre de 2027, na hipótese de convergência gradual.
De acordo com projeções do mercado Focus, a taxa se manteria em 15% até o fim de 2025, com cortes começando apenas entre dezembro deste ano e início de 2026, dependendo de indicadores como inflação e atividade econômica.
Expectativas futuras
- Adauto Lima (Western Asset): entende que a decisão sinalizou uma pausa, mas não um encerramento do ciclo. Prevê cortes a partir de janeiro de 2026, com possibilidade de antecipação para dezembro.
- Rafaela Vitoria (Inter): projeta cortes em dezembro se a inflação continuar recuando, porém avisa que política fiscal expansionista poderia atrasar esse cronograma.
- Roberto Padovani (BV): alerta que a cautela do BC pode manter a Selic em 15% até o final do primeiro trimestre de 2026.
Conclusão
A decisão de manter a Selic em 15% reflete a intenção do Copom de consolidar um ambiente de política monetária restritiva diante de incertezas externas e inflação ainda fora da meta. A menção às tarifas de 50% dos EUA reforça o alerta sobre riscos globais, enquanto o cenário interno — com inflação persistente e forte demanda — exige vigilância contínua. A expectativa é de que o ciclo de cortes ocorra entre final de 2025 e início de 2026, sujeito à evolução dos indicadores macroeconômicos.
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