A Iguá, uma das gigantes do saneamento no país, passa por um momento de grande turbulência. A empresa anunciou a nomeação de René Silva como seu novo CEO, em substituição a Roberto Barbuti. Silva assume a liderança em meio a uma série de desafios que ameaçam as operações da companhia no Rio de Janeiro e em Sergipe, os dois contratos mais importantes de seu portfólio. A situação no Rio de Janeiro, em particular, é crítica e pode levar à perda da concessão 32 anos antes do previsto.
Um dos principais pontos de atenção em relação ao novo CEO é sua falta de experiência direta no setor de saneamento. Executivos da área expressam preocupação, ressaltando que Silva precisará reestruturar a equipe e focar em eficiência. No entanto, a Iguá aposta na experiência do executivo em outras concessionárias de infraestrutura, como Hidrovias do Brasil e Auto Raposo Tavares. Segundo a empresa, ele assume com o respaldo dos acionistas para dar continuidade à integração de novas operações, focar na eficiência e manter a disciplina financeira.
A crise mais urgente para a Iguá está no Rio de Janeiro, onde a empresa é responsável pelos serviços de água e esgoto em áreas como Barra da Tijuca e Jacarepaguá. A empresa foi multada em R$ 124,2 milhões pela Agenersa por despejar esgoto sem tratamento adequado no mar da Barra da Tijuca. Embora a Iguá alegue ter autorização para tal prática enquanto a estação de tratamento está em obras, a agência reguladora recomendou a abertura de uma investigação para avaliar a perda da concessão por suposto descumprimento de contrato.
A situação no Rio de Janeiro se agrava com outra disputa em curso: uma arbitragem movida pela própria Iguá contra o governo estadual. A empresa alega um desequilíbrio de R$ 828 milhões devido a perdas de água acima do previsto no edital de licitação. Enquanto o governo indicava 35% de perdas, a Iguá afirma ter encontrado 54%. O impasse foi levado a uma corte arbitral, adicionando mais uma camada de complexidade aos desafios da companhia na região.
Em paralelo, a empresa enfrenta dificuldades na integração de suas atividades em Sergipe, um contrato que custou caro e se mostrou mais complexo do que o esperado. A Iguá ofereceu R$ 4,53 bilhões pela concessão, um ágio de 122,6% em relação à proposta inicial, superando a concorrente Aegea. Para viabilizar o negócio, um aumento de capital de R$ 1,7 bilhão foi realizado.
O que se viu em Sergipe foi uma grande frustração devido ao alto desembolso para a concessão e a complexidade da operação no estado. A principal dificuldade é o índice de perdas de mais de 60%, um dos maiores do país, devido a furtos e ineficiências. Este cenário desafiador em Sergipe, somado à crise no Rio de Janeiro, coloca uma grande pressão sobre a nova gestão. René Silva terá a difícil missão de sanear não só as redes de água e esgoto, mas também as finanças e a reputação da empresa.
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