Estância (SE) – A origem do nome da Rua Domingos Gordo, no centro histórico de Estância, foi investigada pelo escritor e pesquisador Acrísio Gonçalves de Oliveira, que identificou dois personagens homônimos ligados à cidade: um soldado da Guerra do Paraguai e um jornalista, poeta e dramaturgo.
Homenagem a um voluntário da pátria
O primeiro Domingos Gordo, combatente na Guerra do Paraguai (1864-1870), deu nome à via como forma de homenagem habitual aos voluntários da pátria. Não há registro exato de sua morte, que pode ter ocorrido entre o fim da década de 1860 e o início da de 1870. Já em 1872, o jornal O Mosaico funcionava na então recém-batizada Rua Domingos Gordo, indício de que o ex-soldado já havia falecido naquele ano.
O intelectual do século XX
O segundo Domingos Gordo, provável parente do primeiro, destacou-se na imprensa e na literatura sergipana. Segundo documentos de inventário de 1899, ele nasceu em 1887, e não em 1882 como apontou o historiador Armindo Guaraná. Era filho de Pedro Gordo da Cruz e Inez Cardoso da Cruz, além de sobrinho do escritor Brício Cardoso (1844-1924).
Formado em humanidades em Aracaju, foi sócio fundador do Clube Literário Tobias Barreto e do Clube Literário e Recreativo Comercial, em Estância. Publicou, com o irmão Joaquim Maurício Cardoso, o livro Alvoradas (1904) de contos e poemas. Atuou em diversos periódicos, entre eles Descanso, A Razão, O Crisântemo, Estado de Sergipe, Correio de Aracaju e A Primavera.
Em 1910, presidiu o Clube Futebol Sergipano, e no ano seguinte foi nomeado telegrafista de quarta classe dos Correios. Transferiu-se depois para o Espírito Santo, onde dirigiu os telégrafos estaduais em 1932. Morando em Niterói (RJ), lançou em 1935 a revista Brasil Telegráphico e, para o biênio 1936-1937, assumiu a secretaria do Clube dos Telegrafistas do Brasil. Aposentou-se nos anos 1940.
Domingos Gordo faleceu em 1951, em Niterói, e foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a imprensa carioca destacou suas qualidades intelectuais e pessoais; o jornalista sergipano Zózimo Lima lembrou seu apreço pelas tradições de Sergipe.
A rua e sua memória
A estreita artéria que leva o nome de Domingos Gordo abrigou, nos anos 1970, a redação do histórico jornal A Estância, que encerrou ali suas atividades. Embora o logradouro celebre o voluntário da Guerra do Paraguai, a coincidência de nomes faz com que muitos associem a homenagem ao escritor e jornalista, cuja obra permanece pouco reconhecida na cidade natal.
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