Sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais reunidos na Frente Ampla Contra as Organizações Sociais e em Defesa do Serviço Público promoveram uma panfletagem no Calçadão da João Pessoa, em Aracaju, na terça-feira, 28 de outubro. A ação, realizada no Dia do Servidor Público, denunciou a transferência da gestão da saúde para empresas privadas e alertou para impactos da Reforma Administrativa em tramitação no Congresso Nacional.
Críticas à entrega da saúde
O coordenador-geral do SINDASSE, Ygor Machado, afirmou que a terceirização iniciada na saúde tende a avançar sobre assistência social, educação e outros setores. “Estamos aqui para garantir atendimento de qualidade financiado e gerido pelo poder público, e não por organizações privadas que recebem recursos estatais”, declarou.
Para o presidente da CUT-SE, Roberto Silva, a situação é agravada pelo envolvimento de empresas investigadas pela Polícia Federal. “O governador Fábio Mitidieri e a prefeita de Aracaju, Emília Corrêia, estão entregando a gestão da saúde a empresas com sedes em peixaria e borracharia, sem confiabilidade para administrar recursos públicos”, criticou.
A vice-presidenta do SINDIPEMA, Sandra Beiju, reforçou o posicionamento contrário às Organizações Sociais: “Empresas visam ao lucro e não à melhoria da qualidade de vida da população”.
Reforma Administrativa também é alvo
Durante a mobilização, profissionais de diversas categorias — médicos, professores, assistentes sociais, nutricionistas, fonoaudiólogos, odontólogos, fisioterapeutas, agentes comunitários, auxiliares e técnicos de enfermagem — repudiaram a proposta de Reforma Administrativa. “São medidas que retiram direitos e prejudicam o atendimento à população”, disse Mychelyne Guerreiro, do SINDINUTRISE.
Atraso salarial e demissões
O presidente do SINDIMED, Helton Monteiro, informou que médicos de Sergipe ainda não receberam os salários de agosto e setembro. Segundo ele, além de atrasos, há ameaças de demissões que colocam em risco a continuidade dos serviços.
Demissões suspensas pela Justiça
Em julho de 2025, 1.149 profissionais da Fundação Hospitalar de Saúde receberam cartas de demissão para abertura de vagas a contratados via processo seletivo simplificado. Uma liminar de 3 de julho suspendeu as dispensas, determinando que substituições ocorram apenas com concursados, conforme acordo entre Governo de Sergipe, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho.
Apesar da decisão, em 1º de outubro o governo tentou demitir 37 profissionais das UPAs de Boquim, Neópolis e Tobias Barreto, além de funcionários do HUSE e da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes. Nova decisão judicial de 17 de outubro fixou multa diária de R$ 1.000 em caso de descumprimento, mas, até o momento, o Estado não reintegrou os trabalhadores.
Os manifestantes afirmaram que permanecerão mobilizados até que os profissionais sejam reintegrados e que o serviço público seja preservado.
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