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Educação

Pesquisador da Uerj pede acompanhamento da trajetória de ex-cotistas

A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) deve criar grupos de trabalho para monitorar o percurso acadêmico e profissional dos alunos que ingressaram por ações afirmativas, defendeu o sociólogo Luiz Augusto Campos, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp-Uerj). Especialista no tema e um dos organizadores do livro Impacto das Cotas: Duas […]

06/12/2025 · 19h14
Pesquisador da Uerj pede acompanhamento da trajetória de ex-cotistas

A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) deve criar grupos de trabalho para monitorar o percurso acadêmico e profissional dos alunos que ingressaram por ações afirmativas, defendeu o sociólogo Luiz Augusto Campos, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp-Uerj).

Especialista no tema e um dos organizadores do livro Impacto das Cotas: Duas Décadas de Ação Afirmativa no Ensino Superior Brasileiro, Campos considera o acompanhamento de egressos a etapa mais importante para medir resultados. “A Lei de Cotas é um meio para reduzir desigualdades; se não produz efeitos fora da universidade, fracassa como política pública”, afirmou.

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Crítica ao limite de renda na pós-graduação

Vinte anos após a adoção pioneira das cotas na graduação, o pesquisador defende a atualização da legislação estadual que estabelece critérios de ingresso na pós-graduação da Uerj. Hoje, além da autodeclaração como preto ou pardo, o candidato precisa comprovar renda familiar de até R$ 2.277 por pessoa.

Para Campos, o teto é baixo e inviabiliza a participação de pretos e pardos nos programas de mestrado e doutorado. “Um estudante considerado carente raramente chega ao mestrado; se recebe bolsa, deixa de cumprir o critério socioeconômico. As cotas na pós-graduação da Uerj não funcionaram”, avaliou.

Dados nacionais mostram baixa presença negra

Levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) indica que pessoas pretas representam 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores no país. Entre os pardos, os índices são 16,7% e 14,9%, respectivamente. Indígenas respondem por 0,23% das titulações de mestrado e 0,3% das de doutorado. De 1996 a 2021, brancos obtiveram 49,5% dos títulos de mestrado e 57,8% dos de doutorado.

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Revisão só em 2028

A Lei estadual 8.121/2018, que fixou o corte socioeconômico, será revisada apenas em 2028. Até lá, Campos sugere que a universidade utilize sua autonomia nos editais para flexibilizar as regras. Ele alerta que a seleção para pós-graduação é altamente judicializada e que uma legislação menos restritiva reduziria conflitos.

Durante encontro realizado no fim de novembro, mês da Consciência Negra, ex-cotistas da Uerj também defenderam a revisão do critério de renda para ampliar o acesso de pretos e pardos ao mestrado e ao doutorado.

Com informações de Agência Brasil

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A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) deve criar grupos de trabalho para monitorar o percurso acadêmico e profissional dos alunos que ingressaram por ações afirmativas, defendeu o sociólogo Luiz Augusto Campos, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp-Uerj).

Especialista no tema e um dos organizadores do livro Impacto das Cotas: Duas Décadas de Ação Afirmativa no Ensino Superior Brasileiro, Campos considera o acompanhamento de egressos a etapa mais importante para medir resultados. “A Lei de Cotas é um meio para reduzir desigualdades; se não produz efeitos fora da universidade, fracassa como política pública”, afirmou.

Crítica ao limite de renda na pós-graduação

Vinte anos após a adoção pioneira das cotas na graduação, o pesquisador defende a atualização da legislação estadual que estabelece critérios de ingresso na pós-graduação da Uerj. Hoje, além da autodeclaração como preto ou pardo, o candidato precisa comprovar renda familiar de até R$ 2.277 por pessoa.

Para Campos, o teto é baixo e inviabiliza a participação de pretos e pardos nos programas de mestrado e doutorado. “Um estudante considerado carente raramente chega ao mestrado; se recebe bolsa, deixa de cumprir o critério socioeconômico. As cotas na pós-graduação da Uerj não funcionaram”, avaliou.

Dados nacionais mostram baixa presença negra

Levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) indica que pessoas pretas representam 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores no país. Entre os pardos, os índices são 16,7% e 14,9%, respectivamente. Indígenas respondem por 0,23% das titulações de mestrado e 0,3% das de doutorado. De 1996 a 2021, brancos obtiveram 49,5% dos títulos de mestrado e 57,8% dos de doutorado.

Revisão só em 2028

A Lei estadual 8.121/2018, que fixou o corte socioeconômico, será revisada apenas em 2028. Até lá, Campos sugere que a universidade utilize sua autonomia nos editais para flexibilizar as regras. Ele alerta que a seleção para pós-graduação é altamente judicializada e que uma legislação menos restritiva reduziria conflitos.

Durante encontro realizado no fim de novembro, mês da Consciência Negra, ex-cotistas da Uerj também defenderam a revisão do critério de renda para ampliar o acesso de pretos e pardos ao mestrado e ao doutorado.

Com informações de Agência Brasil

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