A Universidade de São Paulo (USP) definiu as obras literárias que serão cobradas no vestibular entre 2030 e 2033. A lista, aprovada por unanimidade pelo Conselho de Graduação, traz pela primeira vez textos de autores indígenas e inclui uma graphic novel, além de recolocar peças teatrais entre as leituras obrigatórias.
Segundo o diretor executivo da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), Gustavo Monaco, a atualização busca “trazer visões mais contemporâneas” e ampliar as possibilidades de comparação entre diferentes escolas literárias. Ele avalia que o candidato precisa relacionar diversas concepções e narrativas ao ingressar na universidade.
A introdução de novos gêneros e autores impactará também a correção das provas. A banca de Língua Portuguesa da Fuvest, responsável por avaliar aproximadamente 30 mil candidatos na segunda fase, já destina metade das questões à literatura. Para Monaco, a diversidade de obras tende a tornar as respostas mais variadas e a gerar debates entre os avaliadores.
Livros exigidos em 2030 e 2031
• Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
• Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, Trudruá Dorrico e Maurício Negro (contos)
• A Moratória, Jorge Andrade (teatro)
• Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
• Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
• Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
• Memorial do Convento, José Saramago (romance)
• A Ilha Fantástica, Germano Almeida (romance)
• Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus (romance)
Livros exigidos em 2032 e 2033
• Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
• Orfeu da Conceição, Vinicius de Moraes (teatro)
• Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
• Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
• Úrsula, Maria Firmina dos Reis (romance)
• Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
• O Plantador de Abóboras, Luís Cardoso (romance)
• Casa de Família, Paula Fábrio (romance)
• Fantasmas, Daniel Munduruku (romance)
A nova seleção mantém paridade de gênero entre os autores e reforça a proposta da USP de diversificar estilos e origens, atendendo a um público de vestibulandos que deverá demonstrar conhecimento literário mais amplo e integrado.
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