Suspeita teria chamado comerciante de “lixo” e cuspido na vítima durante evento na Praça das Artes. Sob nova lei, crime é inafiançável.
SALVADOR, BA – O que deveria ser uma noite de celebração cultural na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba tornou-se um caso de polícia nesta quarta-feira (21). A turista gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa em flagrante suspeita de injúria racial contra uma comerciante que trabalhava no bar do evento.
O Relato da Vítima: “Eu sou branca”
Hanna, a comerciante agredida, relatou momentos de profunda humilhação. Segundo ela, a agressão começou de forma gratuita enquanto ela recolhia materiais de trabalho.
“No momento que eu passei, ela falou: ‘Vai mais um lixo’. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma ‘escarrada’ em mim”, desabafou Hanna em entrevista à TV Bahia.
A vítima ainda destacou que a suspeita mantinha contato visual agressivo, reafirmando sua cor de pele como um sinal de suposta superioridade: “Ela olhava nos olhos e dizia: ‘Eu sou branca'”.
Injúria Racial agora é Racismo
O caso ganha contornos mais severos devido à Lei 14.532/2023, que equiparou o crime de injúria racial ao de racismo no Brasil. Essa mudança altera drasticamente o rito processual e a punição.
O que muda na prática para a suspeita:
- Inafiançável: A polícia não pode conceder liberdade mediante pagamento de fiança na delegacia.
- Imprescritível: O crime não tem prazo de validade para ser julgado.
- Pena: Reclusão de dois a cinco anos, além de multa.
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