A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica nesta terça-feira (3), a convocação do ministro das Relaões Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre a postura do Brasil diante das recentes hostilidades envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A data em que o chanceler deverá comparecer ainda será definida pela comissão.
O requerimento que pede a presença do ministro foi apresentado pelo deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE) e teve o apoio da bancada bolsonarista. A sessão registrou ausência de parlamentares da base governista, fato que a oposição interpretou como tentativa de esvaziar o debate sobre a política externa do país.
A iniciativa de convocação ocorreu após a divulgação de duas notas oficiais emitidas pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que se posicionaram em momentos distintos da escalada militar no Oriente Médio.
Na primeira nota, divulgada após ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã, o Itamaraty condenou as ações e manifestou “grave preocupação”, ressaltando que os bombardeios aconteceram enquanto havia um processo de negociação em curso entre as partes envolvidas.
Horas mais tarde, diante das represálias iranianas contra países do Golfo, o ministério publicou novo comunicado no qual declarou ter “profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo”, descrevendo a situação como uma ameaça à paz e à segurança internacionais. No segundo texto, o Brasil também condenou medidas que violem a soberania de outros Estados e manifestou solidariedade às nações atingidas pelos ataques retaliatórios do Irã, citando Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.
Rodrigo Valadares questionou a condução diplomática do governo ao apontar diferença de tom e de tempo entre as duas manifestações do Itamaraty. Segundo ele, houve “assimetria de posicionamento” por parte do Brasil, o que, na visão do parlamentar, suscita dúvidas sobre os critérios adotados pela diplomacia, a consistência da narrativa oficial e o alinhamento das ações com os princípios constitucionais que norteiam a atuação internacional brasileira.

Valadares destacou que a condenação aos ataques de Estados Unidos e Israel foi imediata e enfática, enquanto a resposta sobre as ações iranianas teve caráter posterior e linguagem distinta, segundo sua avaliação. A convocação do ministro amplia a pressão da oposição por esclarecimentos formais e deve levar ao debate os critérios do país em cenários de conflito internacional, em um momento de tensão crescente no Oriente Médio.
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