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Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Educação

Estudo aponta que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres

Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) indica que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, na maioria filhas, esposas e netas, com idade média de 48 anos. O levantamento, realizado por pesquisadoras da instituição, também retoma dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2022 do IBGE, segundo a qual as mulheres dedicam em média 9,6 horas semanais a mais que os homens a tarefas domésticas e de cuidado — totalizando mais de mil horas anuais de trabalho não remunerado e de baixa visibilidade social.

05/03/2026 · 17h48
Estudo aponta que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres

Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) indica que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, na maioria filhas, esposas e netas, com idade média de 48 anos. O levantamento, realizado por pesquisadoras da instituição, também retoma dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2022 do IBGE, segundo a qual as mulheres dedicam em média 9,6 horas semanais a mais que os homens a tarefas domésticas e de cuidado — totalizando mais de mil horas anuais de trabalho não remunerado e de baixa visibilidade social.

Quem são e como vivem

O estudo entrevistou 18 mulheres de áreas urbanas e rurais do Paraná e de Santa Catarina que cuidam de familiares idosos, doentes ou com deficiência. Entre as cuidadoras, 68% eram filhas, 21% esposas e 5% netas ou irmãs. A distribuição etária apontou 43% com idades entre 41 e 60 anos, 37% acima de 60 e 22% entre 21 e 30 anos.

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Em termos de escolaridade, 58% cursaram o ensino fundamental, 11% têm ensino médio e 30% possuem ensino superior. Quanto às ocupações, 32% declararam-se agricultoras, 26% trabalhavam no setor formal, 26% eram aposentadas, 11% eram donas de casa e 5% estavam estudando. Do total das entrevistadas, 61% relataram ter interrompido o trabalho remunerado para assumir o cuidado em tempo integral, situação verificada entre todas as agricultoras do estudo.

As pesquisadoras observaram que essas mulheres enfrentam cansaço extremo, solidão e falta de apoio, além de ausência de bonificação e de cobertura previdenciária vinculada ao trabalho de cuidado. Muitas internalizam a obrigação de cuidar, dedicando seu tempo de descanso e lazer às necessidades de familiares.

Políticas públicas comparadas

O trabalho destaca que alguns países oferecem diferentes formas de apoio aos cuidadores familiares. Na Finlândia e na Dinamarca, por exemplo, assistentes domésticos e de serviços têm remuneração custeada por municípios. França, Áustria, Alemanha e Holanda também financiam parte dos serviços prestados por assistentes. No Reino Unido e na Irlanda, há compensação estatal pela perda de renda durante o período de assistência a um familiar. Na Espanha, a Lei de Promoção da Autonomia Pessoal e Atenção às pessoas em situação de dependência inclui compensação econômica para cuidadores familiares.

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No Brasil, conforme as pesquisadoras, a implementação de políticas ainda é incipiente. A Política Nacional do Cuidado foi instituída no final de 2024 e segue em fase de implementação, segundo as autoras.

O estudo alerta para a necessidade de reconhecer socialmente o trabalho de cuidado e pondera que, além de eventual remuneração, esse tempo deveria ser contabilizado para efeitos de aposentadoria. As autoras também chamam atenção para a importância de educar crianças para uma divisão mais equitativa das tarefas domésticas e de cuidado.

As autoras do trabalho são as pesquisadoras Valquiria Elita Renk, Ana Silvia Juliatto Bordini e Sabrina P. Buziquia.

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Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) indica que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, na maioria filhas, esposas e netas, com idade média de 48 anos. O levantamento, realizado por pesquisadoras da instituição, também retoma dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2022 do IBGE, segundo a qual as mulheres dedicam em média 9,6 horas semanais a mais que os homens a tarefas domésticas e de cuidado — totalizando mais de mil horas anuais de trabalho não remunerado e de baixa visibilidade social.

Quem são e como vivem

O estudo entrevistou 18 mulheres de áreas urbanas e rurais do Paraná e de Santa Catarina que cuidam de familiares idosos, doentes ou com deficiência. Entre as cuidadoras, 68% eram filhas, 21% esposas e 5% netas ou irmãs. A distribuição etária apontou 43% com idades entre 41 e 60 anos, 37% acima de 60 e 22% entre 21 e 30 anos.

Em termos de escolaridade, 58% cursaram o ensino fundamental, 11% têm ensino médio e 30% possuem ensino superior. Quanto às ocupações, 32% declararam-se agricultoras, 26% trabalhavam no setor formal, 26% eram aposentadas, 11% eram donas de casa e 5% estavam estudando. Do total das entrevistadas, 61% relataram ter interrompido o trabalho remunerado para assumir o cuidado em tempo integral, situação verificada entre todas as agricultoras do estudo.

As pesquisadoras observaram que essas mulheres enfrentam cansaço extremo, solidão e falta de apoio, além de ausência de bonificação e de cobertura previdenciária vinculada ao trabalho de cuidado. Muitas internalizam a obrigação de cuidar, dedicando seu tempo de descanso e lazer às necessidades de familiares.

Políticas públicas comparadas

O trabalho destaca que alguns países oferecem diferentes formas de apoio aos cuidadores familiares. Na Finlândia e na Dinamarca, por exemplo, assistentes domésticos e de serviços têm remuneração custeada por municípios. França, Áustria, Alemanha e Holanda também financiam parte dos serviços prestados por assistentes. No Reino Unido e na Irlanda, há compensação estatal pela perda de renda durante o período de assistência a um familiar. Na Espanha, a Lei de Promoção da Autonomia Pessoal e Atenção às pessoas em situação de dependência inclui compensação econômica para cuidadores familiares.

No Brasil, conforme as pesquisadoras, a implementação de políticas ainda é incipiente. A Política Nacional do Cuidado foi instituída no final de 2024 e segue em fase de implementação, segundo as autoras.

O estudo alerta para a necessidade de reconhecer socialmente o trabalho de cuidado e pondera que, além de eventual remuneração, esse tempo deveria ser contabilizado para efeitos de aposentadoria. As autoras também chamam atenção para a importância de educar crianças para uma divisão mais equitativa das tarefas domésticas e de cuidado.

As autoras do trabalho são as pesquisadoras Valquiria Elita Renk, Ana Silvia Juliatto Bordini e Sabrina P. Buziquia.

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