Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry, afirmou que a grande maioria dos projetos de inteligência artificial (IA) ainda não traz ganhos econômicos para as empresas. Em painel preparatório para a Hannover Messe — maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que será realizada de 20 a 24 de abril em Hannover, na Alemanha — Jung disse que “95% dos projetos de IA não entregam valor econômico hoje”.
Contexto e crítica
O executivo da divisão de tecnologia da Bosch avaliou que, apesar do entusiasmo em torno da IA, muitas iniciativas permanecem em fase piloto e não se traduzem em aumento de produtividade ou em resultados financeiros. Ele apontou também um desafio relacionado ao excesso de dados: “Temos cada vez mais dados, mas isso não parece produzir muito mais valor a partir desses dados”, declarou.
Hannover Messe e participação do Brasil
A declaração foi feita durante evento que antecipou novidades da Hannover Messe, programada para 20 a 24 de abril em Hannover, cidade com cerca de 550 mil habitantes no norte da Alemanha. O Brasil será o país homenageado na edição deste ano, que terá temas como robótica, IA, digitalização, automação, descarbonização e energia limpa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, confirmaram presença na feira.
Recomendações e integração humano-máquina
Para aumentar o valor das iniciativas de IA na indústria, Jung defende a integração entre tecnologia e conhecimento humano. “A resposta está em trazer IA, máquinas e humanos juntos em uma forma de cointeligência na manufatura”, afirmou, acrescentando que “nós industrializamos a IA generativa”.
Estudo do MIT
A avaliação do executivo corrobora achados do relatório “O Estado da IA nos Negócios em 2025”, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que aponta que, apesar de investimentos empresariais entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões em IA generativa, 95% das organizações não estão obtendo retorno financeiro com essas iniciativas.
Robótica aplicando IA
Sven Parusel, chefe de pesquisa da Agile Robots, afirmou que a IA começa a se materializar por meio de robôs na manufatura. “Estamos vendo a IA sair das telas e entrar nos espaços de manufatura, especialmente quando falamos de IA física, trazendo robôs e máquinas físicas junto com as capacidades de IA”, disse. Ele relatou que a empresa desenvolve desde 2018 braços e mãos robóticas, sistemas móveis e um robô humanoide.
Parusel revelou que a Agile criou um sistema de montagem de caixa de câmbio com dois braços robóticos controlados por IA, que utiliza aprendizado de máquina para controle e visão computacional para detectar objetos. Segundo ele, a solução já mostra benefícios como produção mais rápida, maior flexibilidade e configuração mais simples.

Potencial do Brasil
Como país homenageado, o Brasil terá pavilhões que somam 2,7 mil metros quadrados na Hannover Messe. A participação brasileira é organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Serão 140 expositores e uma delegação com 300 empresas.
Márcia Nejaim, representante regional da ApexBrasil, afirmou à Agência Brasil que o país tem condições de se destacar em IA e citou instituições e empresas brasileiras com potencial de exposição, como o instituto de pesquisa Eldorado e as empresas Fu2re e Stefanini. “O Brasil hoje tem gente trabalhando com tecnologia que não fica atrás, muita gente de fora vem contratar gente no Brasil”, reforçou.
Com informações de Agência Brasil
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