A alta da taxa básica elevou o interesse pelo Tesouro Direto. Entenda as diferenças entre prefixados, indexados ao IPCA e pós-fixados para escolher conforme prazo e tolerância ao risco.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic em 14% ao ano. Com isso, muitos investidores se questionam se este é um bom momento para aplicar no Tesouro Direto.
Antes de optar por um título apenas pela rentabilidade, especialistas orientam que é necessário compreender como cada opção funciona e qual delas atende melhor aos objetivos financeiros de cada investidor. É importante destacar que o Tesouro Direto não se refere a um investimento específico, mas sim a uma plataforma que possibilita a compra de títulos públicos emitidos pelo governo federal.
Ao adquirir um título, o investidor está emprestando dinheiro ao governo em troca de uma remuneração que varia conforme o tipo de título escolhido. Segundo uma especialista do setor, o mais relevante é escolher o título considerando o prazo e o objetivo do investimento, e não apenas a rentabilidade.
Para começar a investir, o primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora ou banco autorizado a operar o Tesouro Direto. Após a transferência de recursos para a instituição financeira, o investidor pode acessar a plataforma e escolher o título desejado. Atualmente, é possível investir com valores a partir de R$ 30 em alguns títulos, o que torna o Tesouro Direto uma das principais portas de entrada para iniciantes no mundo dos investimentos.
Entre as opções disponíveis, o Tesouro Selic é frequentemente recomendado para quem está formando uma reserva de emergência ou pretende utilizar o dinheiro no curto prazo, devido à sua baixa volatilidade e maior previsibilidade. Por outro lado, o Tesouro Prefixado permite ao investidor conhecer a rentabilidade no momento da aplicação, sendo mais indicado em cenários onde há expectativa de queda nas taxas de juros, desde que o investimento seja mantido até o vencimento.
Para metas de longo prazo, como aposentadoria ou preservação do poder de compra, o Tesouro IPCA+ se destaca, pois sua remuneração combina a inflação com uma taxa de juros fixa. Em um ciclo de queda da Selic, os títulos prefixados e do Tesouro IPCA+ costumam valorizar, especialmente os de prazo mais longo.
Outra opção é o Tesouro Reserva, que oferece resgate imediato e rentabilidade atrelada à taxa básica de juros, ideal para quem busca máxima liquidez e segurança. Além disso, existem títulos voltados para objetivos específicos, como o Tesouro Educa+, destinado à formação de uma reserva para educação, e o Tesouro Renda+, que complementa a renda futura através de pagamentos periódicos.
É importante lembrar que, apesar de considerados investimentos de baixo custo, os títulos públicos não são isentos de despesas. Os rendimentos estão sujeitos à tributação do Imposto de Renda, que varia de acordo com o tempo de aplicação. Além disso, pode haver a cobrança da taxa de custódia da B3 em certas circunstâncias.
Com a Selic em 14%, os investidores devem reavaliar suas estratégias. A perspectiva é de que, quando os juros começam a cair, muitos passem a focar em títulos prefixados e indexados à inflação, que podem se valorizar antes do vencimento. Contudo, o Tesouro Selic continua sendo uma opção relevante para aqueles que buscam liquidez e segurança, embora sua rentabilidade seja afetada pela redução da taxa básica.
A especialista recomenda que os investidores evitem concentrar todo o patrimônio em uma única classe de ativos, mesmo em um cenário de juros elevados. A diversificação é fundamental para mitigar riscos e potencializar retornos.
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