Pular para o conteúdo principal
Aracaju, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Pular para o conteúdo
ELEIÇÕES 2026

Agressões a mulheres na política disparam em ano eleitoral

Denúncias de violência política de gênero cresceram: processos aumentaram 11 vezes (2022-2024) e 87% das vítimas eram mulheres negras, diz estudo.

25/09/2026 · 13h02 · Atualizado às 17h02
Agressões a mulheres na política disparam em ano eleitoral

Processos por violência política de gênero cresceram 11 vezes entre 2022 e 2024, segundo o TSE. Casos em Pernambuco e no Espírito Santo mostram pedradas e explosivos contra campanhas.

Denúncias de violência política de gênero têm aumentado, especialmente em ano de eleição. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, de 2022 a 2024, os processos relacionados a esse tipo de crime aumentaram 11 vezes, segundo registros oficiais.

Publicidade

Casos registrados em diferentes estados ilustram a gravidade das agressões. Em Pernambuco, uma deputada estadual recebeu uma pedrada durante compromisso de campanha no interior do estado e foi encaminhada ao hospital. No Espírito Santo, um artefato explosivo foi lançado contra integrantes da campanha de uma candidata a deputada federal. Em Minas Gerais, uma candidata recebeu ameaças de estupro pela internet e teve dados de familiares expostos. No Rio de Janeiro, as ameaças incluíram menções diretas a homicídio, com referência ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco.

Todas essas denúncias foram recebidas por movimentos sociais que, diante da gravidade dos relatos, redigiram um documento pedindo medidas do Estado para coibir as agressões. O relatório foi entregue ao TSE.

Movimentos sociais e organizações apontam caminhos para o enfrentamento da violência política de gênero, com ênfase na responsabilização dos agressores, na cooperação com plataformas digitais e em campanhas de conscientização voltadas às próprias vítimas sobre o que constitui violência política.

Gisele Barbiere, coordenadora de Incidência Política da organização Terra de Direitos, destaca a necessidade de respostas efetivas das instituições para frear a impunidade.

“A impunidade, a falta de respostas para esses casos faz com que esses algozes se sintam mais encorajados a intimidar e violentar as mulheres dessa forma”

Além da responsabilização penal e administrativa, as entidades defendem mecanismos de proteção às candidatas e gestoras públicas e maior articulação com as plataformas digitais para retirada de conteúdo abusivo e identificação de ameaças.

Você pode se interessarConteúdo patrocinado · MGID

Para a coordenadora de Programas e Estratégia do Instituto Marielle Franco, Larissa Amorim, a violência política dirigida a mulheres tem impacto direto sobre a qualidade da representação política no país.

“Quando você expõe dados pessoais, ou quando você ameaça a família daquela parlamentar ou daquela gestora pública, isso ameaça, inclusive, o direito ao exercício do seu mandato, ou exercício da sua ocupação de carácter político. O que, por sua vez, ameaça o princípio de representação política. Então, é um problema da nossa democracia”

Um estudo do Instituto Marielle Franco, publicado em 2025, analisou 77 casos de violência política entre 2021 e 2025 e mostrou que 87% das vítimas eram mulheres negras. O recorte racial, dizem as organizações, evidencia padrões específicos de ataque, que costumam incidir sobre o corpo, a aparência e envolver xingamentos de teor desumanizador.

Publicidade

“O que a gente vê quando se trata dessa violência de gênero com esse recorte racial é uma violência muito mais perversa, porque ela sempre vai diretamente em críticas ao corpo, à aparência. São xingamentos comparando as mulheres a animais”

Larissa Amorim também defende a inclusão da perspectiva racial na lei 14.192/2021 para qualificar a atuação do Estado no enfrentamento da violência política de gênero e raça.

“E por que isso é importante? Porque se ela (a lei) não traz uma dimensão racial na sua estrutura, essa certamente não é uma dimensão que será incorporada pelas políticas construídas a partir da lei. E é uma coisa que precisa ser feita pra gente qualificar a atuação do Estado brasileiro no enfrentamento à violência política de gênero e raça. Porque as mulheres negras, as mulheres trans negras, inclusive, são alvo prioritário dessa violência”

As entidades seguem cobrando medidas institucionais e políticas públicas que garantam investigação, responsabilização e proteção às mulheres que disputam e exercem cargos eletivos.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Recomendado para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
Mais conteúdos para vocêConteúdo patrocinado · MGID
Sugeridas pra vocêConteúdo patrocinado · MGID
Publicidade
4 min de leitura

Processos por violência política de gênero cresceram 11 vezes entre 2022 e 2024, segundo o TSE. Casos em Pernambuco e no Espírito Santo mostram pedradas e explosivos contra campanhas.

Denúncias de violência política de gênero têm aumentado, especialmente em ano de eleição. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que, de 2022 a 2024, os processos relacionados a esse tipo de crime aumentaram 11 vezes, segundo registros oficiais.

Casos registrados em diferentes estados ilustram a gravidade das agressões. Em Pernambuco, uma deputada estadual recebeu uma pedrada durante compromisso de campanha no interior do estado e foi encaminhada ao hospital. No Espírito Santo, um artefato explosivo foi lançado contra integrantes da campanha de uma candidata a deputada federal. Em Minas Gerais, uma candidata recebeu ameaças de estupro pela internet e teve dados de familiares expostos. No Rio de Janeiro, as ameaças incluíram menções diretas a homicídio, com referência ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco.

Todas essas denúncias foram recebidas por movimentos sociais que, diante da gravidade dos relatos, redigiram um documento pedindo medidas do Estado para coibir as agressões. O relatório foi entregue ao TSE.

Movimentos sociais e organizações apontam caminhos para o enfrentamento da violência política de gênero, com ênfase na responsabilização dos agressores, na cooperação com plataformas digitais e em campanhas de conscientização voltadas às próprias vítimas sobre o que constitui violência política.

Gisele Barbiere, coordenadora de Incidência Política da organização Terra de Direitos, destaca a necessidade de respostas efetivas das instituições para frear a impunidade.

“A impunidade, a falta de respostas para esses casos faz com que esses algozes se sintam mais encorajados a intimidar e violentar as mulheres dessa forma”

Além da responsabilização penal e administrativa, as entidades defendem mecanismos de proteção às candidatas e gestoras públicas e maior articulação com as plataformas digitais para retirada de conteúdo abusivo e identificação de ameaças.

Para a coordenadora de Programas e Estratégia do Instituto Marielle Franco, Larissa Amorim, a violência política dirigida a mulheres tem impacto direto sobre a qualidade da representação política no país.

“Quando você expõe dados pessoais, ou quando você ameaça a família daquela parlamentar ou daquela gestora pública, isso ameaça, inclusive, o direito ao exercício do seu mandato, ou exercício da sua ocupação de carácter político. O que, por sua vez, ameaça o princípio de representação política. Então, é um problema da nossa democracia”

Um estudo do Instituto Marielle Franco, publicado em 2025, analisou 77 casos de violência política entre 2021 e 2025 e mostrou que 87% das vítimas eram mulheres negras. O recorte racial, dizem as organizações, evidencia padrões específicos de ataque, que costumam incidir sobre o corpo, a aparência e envolver xingamentos de teor desumanizador.

“O que a gente vê quando se trata dessa violência de gênero com esse recorte racial é uma violência muito mais perversa, porque ela sempre vai diretamente em críticas ao corpo, à aparência. São xingamentos comparando as mulheres a animais”

Larissa Amorim também defende a inclusão da perspectiva racial na lei 14.192/2021 para qualificar a atuação do Estado no enfrentamento da violência política de gênero e raça.

“E por que isso é importante? Porque se ela (a lei) não traz uma dimensão racial na sua estrutura, essa certamente não é uma dimensão que será incorporada pelas políticas construídas a partir da lei. E é uma coisa que precisa ser feita pra gente qualificar a atuação do Estado brasileiro no enfrentamento à violência política de gênero e raça. Porque as mulheres negras, as mulheres trans negras, inclusive, são alvo prioritário dessa violência”

As entidades seguem cobrando medidas institucionais e políticas públicas que garantam investigação, responsabilização e proteção às mulheres que disputam e exercem cargos eletivos.

Gostou? Compartilhe com quem precisa saber:

Receba as notícias no seu WhatsApp

Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe

Entrar no canal →

Publicidade

EM ALTA AGORA