A produção da agroindústria brasileira apresentou uma queda de 2,8% em volume no mês de maio de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado interrompeu um ciclo de dois meses consecutivos de crescimento no setor. Com esse desempenho, a agroindústria acumulou uma retração de 0,1% nos primeiros cinco meses do ano, conforme informado pelo Índice de Produção Agroindustrial, elaborado pela FGV Agro, que baseia suas análises na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.
De acordo com a FGV Agro, essa retração observada em maio foi generalizada entre os principais segmentos da agroindústria, o que levanta questões sobre a continuidade dessa tendência. O documento ressalta que o desempenho nos próximos meses será crucial para determinar se esse resultado é um evento isolado ou se sinaliza uma mudança na trajetória que vinha sendo observada anteriormente.
Os únicos setores que conseguiram registrar crescimento foram o de biocombustíveis, que teve um aumento de 9,6%, e o de fumo, com um avanço de 0,8%. Por outro lado, o segmento de produtos alimentícios e bebidas enfrentou uma queda de 3,5% em relação a maio de 2025. Dentro desse grupo, a produção de alimentos caiu 3,7%, enquanto a de bebidas recuou 2,6%.
Entre os alimentos, os produtos de origem vegetal foram os mais afetados, com uma redução de 6,9% em relação ao ano passado. A FGV Agro atribui esse resultado à diminuição na fabricação de conservas, sucos, óleos, arroz, trigo e, em especial, açúcar refinado. Apesar disso, a maior produção de café ajudou a mitigar parcialmente a retração do segmento.
No que diz respeito aos alimentos de origem animal, observou-se uma queda de 1,5%, influenciada pela diminuição no abate de bovinos, aves, suínos e pescados. No setor de bebidas, as bebidas alcoólicas tiveram uma produção 4,2% menor, enquanto as não alcoólicas apresentaram um recuo de 1%.
Em relação aos produtos não alimentícios, a produção também caiu 1,8% em maio na comparação anual. As maiores quedas foram vistas em produtos têxteis (5,6%), insumos agropecuários (4,5%) e produtos florestais (3,5%). A FGV Agro aponta que a queda nos insumos agropecuários se deve principalmente à redução na produção de intermediários para fertilizantes, tratores, máquinas e adubos. Além disso, o relatório destaca que o desempenho negativo já vinha sendo registrado antes do conflito entre Irã e Israel, embora esse cenário geopolítico possa ter agravado as dificuldades enfrentadas pelo setor.
A retração na produção de produtos florestais foi atribuída à diminuição na fabricação de celulose e madeira. O relatório também ressaltou que as exportações brasileiras de celulose caíram 23,1% em maio, comparadas ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Com os resultados de maio, a agroindústria passou de uma alta de 0,7% acumulada até abril para uma retração de 0,1% no acumulado de janeiro a maio. A FGV Agro observa que, enquanto a agroindústria entra em território negativo, a indústria de transformação como um todo manteve um crescimento acumulado de 0,2% nesse mesmo período. Apesar da queda do índice geral, os produtos alimentícios e bebidas ainda apresentam uma expansão de 1,3% em 2026, enquanto os produtos não alimentícios registram uma retração acumulada de 1,9% nos cinco primeiros meses do ano.
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