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Aracaju, Quarta-feira, 14 de outubro de 2026
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Economia

AGU processa Discord por R$500 mi e exige adaptação em 15 dias

AGU ajuizou ação contra o Discord pedindo R$ 500 milhões e medidas urgentes após negociações fracassadas e morte de adolescente em live.

27/08/2026 · 00h00 · Atualizado às 08h49
AGU processa Discord por R$500 mi e exige adaptação em 15 dias

A AGU move ação civil pública contra o Discord após negociação frustrada. Pede R$500 milhões ao Fundo por danos morais coletivos, multa diária de R$500 mil e solicita prazo de 15 dias para adequações.

A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou nesta quarta-feira (26) uma ação civil pública contra o Discord, pedindo indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos. O valor foi solicitado para ser destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, depois de duas semanas de negociação sem sucesso entre o governo federal e a plataforma para a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

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Além do pedido de indenização, a AGU requereu multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento e uma medida de urgência para que o Discord se adapte às exigências em até 15 dias após decisão da Justiça Federal, em Brasília.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a empresa chegou a demonstrar interesse em assumir compromissos com o Estado brasileiro, mas recusou a assinatura do termo no último momento. Segundo ele, essa recusa deixou a ação civil pública como único caminho.

A procuradora-geral da União, Clarice Costa Calixto, disse que um termo de confidencialidade impede o governo de detalhar o motivo do impasse.

A AGU explicou que o montante de R$ 500 milhões corresponde a R$ 50 milhões para cada uma das dez infrações que o órgão diz ter identificado e documentado. Entre os problemas apontados estão falhas na verificação de idade, ausência de vinculação de contas de menores a responsáveis legais e omissão na comunicação de casos às autoridades. Para calcular a indenização, a AGU também considerou o faturamento anual do Discord, estimado pelo órgão em cerca de R$ 4 bilhões.

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Infrações apontadas

  • Falhas na verificação de idade
  • Ausência de vinculação de contas de menores a responsáveis legais
  • Omissão na comunicação de casos às autoridades

O processo foi acelerado após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, induzida por outros usuários à automutilação durante uma transmissão ao vivo no Discord. Um relatório do Ministério da Justiça registrou que a live começou por volta de 2h20, a Polícia Civil de São Paulo alertou a empresa às 3h50 e o grupo só foi derrubado às 4h15. Os investigados foram banidos apenas às 15h20 do dia seguinte.

Para o secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, o caso não é isolado.

O Ciberlab, centro de inteligência da pasta, produziu mais de 115 relatórios sobre indução ao suicídio, automutilação, maus-tratos e sacrifícios de animais na plataforma entre 2025 e 2026. Um levantamento do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo apontou média de cinco denúncias diárias no estado sobre indução ao suicídio, automutilação, estupro e outros crimes contra menores associados ao Discord, além de mais de 385 casos de maus-tratos e sacrifícios de animais registrados só em 2026.

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O que a União exige do Discord

  • Verificação de idade mais robusta
  • Vinculação de contas de usuários de até 16 anos a responsáveis legais
  • Configurações de privacidade protetivas ativadas por padrão para menores
  • Protocolos para detectar e interromper em tempo real transmissões com conteúdo de automutilação ou violência
  • Mecanismos específicos contra sextorsão e maus-tratos a animais
  • Bloqueio técnico para impedir a recriação de contas banidas
  • Preservação de registros de moderação por ao menos seis meses
  • Manutenção de sede, representante legal e canal de denúncias em português no Brasil

Em nota, o Discord classificou a ação como desproporcional e afirmou manter diálogo de boa-fé com a AGU, apresentando uma proposta detalhada de mudanças técnicas e investimento em segurança online no Brasil. A empresa declarou acreditar em caminho alternativo que amplie a proteção sem retirar o serviço do ar no país.

A ação da AGU é distinta do processo aberto pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que determinou em agosto a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil até que a plataforma comprove medidas efetivas de proteção a crianças e adolescentes.

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A AGU move ação civil pública contra o Discord após negociação frustrada. Pede R$500 milhões ao Fundo por danos morais coletivos, multa diária de R$500 mil e solicita prazo de 15 dias para adequações.

A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou nesta quarta-feira (26) uma ação civil pública contra o Discord, pedindo indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos. O valor foi solicitado para ser destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, depois de duas semanas de negociação sem sucesso entre o governo federal e a plataforma para a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Além do pedido de indenização, a AGU requereu multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento e uma medida de urgência para que o Discord se adapte às exigências em até 15 dias após decisão da Justiça Federal, em Brasília.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a empresa chegou a demonstrar interesse em assumir compromissos com o Estado brasileiro, mas recusou a assinatura do termo no último momento. Segundo ele, essa recusa deixou a ação civil pública como único caminho.

A procuradora-geral da União, Clarice Costa Calixto, disse que um termo de confidencialidade impede o governo de detalhar o motivo do impasse.

A AGU explicou que o montante de R$ 500 milhões corresponde a R$ 50 milhões para cada uma das dez infrações que o órgão diz ter identificado e documentado. Entre os problemas apontados estão falhas na verificação de idade, ausência de vinculação de contas de menores a responsáveis legais e omissão na comunicação de casos às autoridades. Para calcular a indenização, a AGU também considerou o faturamento anual do Discord, estimado pelo órgão em cerca de R$ 4 bilhões.

Infrações apontadas

  • Falhas na verificação de idade
  • Ausência de vinculação de contas de menores a responsáveis legais
  • Omissão na comunicação de casos às autoridades

O processo foi acelerado após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, induzida por outros usuários à automutilação durante uma transmissão ao vivo no Discord. Um relatório do Ministério da Justiça registrou que a live começou por volta de 2h20, a Polícia Civil de São Paulo alertou a empresa às 3h50 e o grupo só foi derrubado às 4h15. Os investigados foram banidos apenas às 15h20 do dia seguinte.

Para o secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, o caso não é isolado.

O Ciberlab, centro de inteligência da pasta, produziu mais de 115 relatórios sobre indução ao suicídio, automutilação, maus-tratos e sacrifícios de animais na plataforma entre 2025 e 2026. Um levantamento do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo apontou média de cinco denúncias diárias no estado sobre indução ao suicídio, automutilação, estupro e outros crimes contra menores associados ao Discord, além de mais de 385 casos de maus-tratos e sacrifícios de animais registrados só em 2026.

O que a União exige do Discord

  • Verificação de idade mais robusta
  • Vinculação de contas de usuários de até 16 anos a responsáveis legais
  • Configurações de privacidade protetivas ativadas por padrão para menores
  • Protocolos para detectar e interromper em tempo real transmissões com conteúdo de automutilação ou violência
  • Mecanismos específicos contra sextorsão e maus-tratos a animais
  • Bloqueio técnico para impedir a recriação de contas banidas
  • Preservação de registros de moderação por ao menos seis meses
  • Manutenção de sede, representante legal e canal de denúncias em português no Brasil

Em nota, o Discord classificou a ação como desproporcional e afirmou manter diálogo de boa-fé com a AGU, apresentando uma proposta detalhada de mudanças técnicas e investimento em segurança online no Brasil. A empresa declarou acreditar em caminho alternativo que amplie a proteção sem retirar o serviço do ar no país.

A ação da AGU é distinta do processo aberto pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que determinou em agosto a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil até que a plataforma comprove medidas efetivas de proteção a crianças e adolescentes.

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