A combinação de calor extremo e seca severa projetada para os próximos meses testará os limites e a real eficácia das novas políticas de Manejo Integrado do Fogo (MIF).
Diferente de anos anteriores, onde as ações governamentais eram majoritariamente reativas — ou seja, focadas em apagar o incêndio depois que ele já havia tomado proporções gigantescas —, o foco agora está na preparação antecipada. Órgãos como o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e o INPE já emitiram boletins conjuntos alertando para o alto potencial de queimadas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste devido ao trimestre de seca e temperaturas acima da média.
As Estratégias e os Desafios de Enfrentamento:
- Cobrança da União: O governo federal estabeleceu um prazo rígido de 30 dias para que os estados e o Distrito Federal apresentem detalhadamente seus planos de prevenção e aprovem seus planos de manejo integrado.
- Manejo Integrado do Fogo (MIF): Especialistas do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e o próprio Ibama defendem que a chave para enfrentar o El Niño é o avanço técnico no MIF, que utiliza queimas prescritas controladas durante o período de umidade para criar barreiras naturais contra incêndios descontrolados no auge da estiagem.
- Mecanismos de Cooperação: A grande aposta para esta temporada é a velocidade de resposta. Caso um estado não tenha capacidade técnica ou pessoal para conter as chamas, foram estruturados mecanismos para que bombeiros e brigadistas de outras regiões do país atuem conjuntamente de forma quase imediata.
- O Alerta nos Estados: O estado do Amazonas, por exemplo, já saiu na frente decretando alerta climático precoce para estruturar suas frentes de combate e reduzir os impactos da estiagem prolongada nas comunidades ribeirinhas e indígenas.
Ameaça que vai além das florestas: O Impacto no Bolso
O perigo das queimadas e da seca causadas pelo El Niño não se restringe à perda inestimável de biodiversidade nas florestas tropicais. Especialistas e economistas da FGV (Fundação Getulio Vargas) apontam que os efeitos climáticos na produção agrícola correm o risco de encarecer o prato de comida dos brasileiros, com projeções de queda de 7% a 10% na produção de commodities essenciais como soja, milho, café e laranja, além de ameaçar culturas sensíveis como o arroz, a batata e o tomate.
O Grande Teste da Prevenção
Após o ano de 2025 registrar uma trégua significativa e uma redução de mais de 50% na área queimada em comparação com os piores momentos da estiagem anterior, o avanço rápido do El Niño funcionará como o teste definitivo para as políticas climáticas do país. O sucesso não será medido pela quantidade de água jogada nos focos de calor, mas sim pela eficiência em impedir que as chamas comecem.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

