O aumento no número de encalhamentos de baleias-cinzentas durante sua migração do México, onde dão à luz, tem levantado preocupações entre pesquisadores. Desde 2019, esse fenômeno tem se intensificado, com um aumento significativo nos últimos dois anos. Historicamente, as baleias-cinzentas foram uma grande população no Oceano Pacífico oriental, mas sofreram uma drástica redução devido à caça comercial. Após a moratória de 1980, a população começou a se recuperar.
No entanto, um recente achado de um cadáver da espécie em uma praia de Washington, nos Estados Unidos, em junho deste ano, reacendeu os alertas sobre a possibilidade de extinção das baleias CRC-2293. Os cientistas agora preveem um declínio contínuo da espécie, principalmente devido ao aquecimento das áreas de alimentação no Ártico, que está ocorrendo quatro vezes mais rápido do que a média global.
Dados da organização sem fins lucrativos Cascadia Research Collective indicam que, em um ano típico, cerca de seis baleias-cinzentas são encontradas mortas na costa de Washington. Contudo, em 2026, essa já é a trigésima baleia encontrada, apenas quatro a menos do que o recorde registrado em 2019. As pesquisas revelam que muitas dessas baleias apresentam sinais de inanição e que o número de filhotes nascidos em águas mexicanas está diminuindo, resultando em um declínio populacional que começou em 2016, quando foram contabilizadas 27.000 baleias.
Um artigo publicado na revista Science, em 2023, observou que o número de baleias-cinzentas no Pacífico Oriental passa por ciclos de 20 anos, com quedas associadas a mudanças em suas áreas de alimentação no Ártico. Os atuais encalhamentos indicam um declínio sustentado pelas mudanças climáticas. Joshua Stewart, ecologista marinho da Universidade Estadual de Oregon, afirmou que “esse aumento nos encalhes está reforçando a narrativa de um grande impacto climático.”
Os pesquisadores identificam a queda dos anfípodes no norte do Mar de Bering como o principal problema, uma área crucial para a alimentação das baleias. Mudanças nas correntes oceânicas, observadas especialmente nas últimas duas décadas, estão ligadas ao aquecimento global e alteram os sedimentos do fundo do mar, tornando o ambiente inóspito para os anfípodes, que vivem em tocas. A oceanógrafa biológica Jackie Grebmeier, da Universidade de Maryland, comparou a situação, dizendo que “antes você tinha uma população de anfípodes do tamanho de uma pizza, agora você só tem uma fatia.”
Além disso, o calor extremo já é identificado como responsável por recordes no baixo nível de gelo e pela morte em massa de bilhões de caranguejos-das-neves, o que pode significar que os ecossistemas não são mais capazes de sustentar o mesmo número de baleias que no passado.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

