Nos Estados Unidos, agentes federais mataram a tiros um colombiano de 26 anos, identificado como Joan Sebastian Guerrero, durante uma operação de fiscalização migratória no estado do Maine, na manhã de hoje, 14 de julho de 2026. Este é o segundo caso do tipo registrado em menos de uma semana, poucos dias após um agente ter matado Lorenzo Salgado Araujo, um imigrante mexicano, durante uma abordagem de trânsito no Texas.
As consequências desses episódios, ocorridos a quase 3.200 quilômetros de distância um do outro, repercutiram em Minneapolis, onde surgiram novas cobranças por maior responsabilização dos agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) após as mortes de Renee Good e Alex Pretti, baleados em janeiro na cidade.
Nelson Elias, vizinho de Joan Sebastian Guerrero, relatou que saiu de casa em Biddeford na manhã de hoje após ouvir uma grande movimentação envolvendo policiais e encontrou o vizinho morto a tiros. Segundo ele, que conhecia Guerrero desde 2024, ouviu vários disparos e, ao sair, viu o colombiano caído no chão.
“Por volta das 7h da manhã ouvi gritos que me acordaram. Escutei os policiais mandando que ele estacionasse o carro. Estavam falando muito alto. De repente, dispararam umas seis vezes. Foi algo muito difícil de ouvir”, contou Elias.
O vizinho também afirmou que após ouvir os disparos, primeiramente se preocupou com a segurança de sua família e, ao sair, encontrou Guerrero caído. “A esposa dele estava ao lado, gritando e chorando. A filha deles também estava lá”, completou.
“Ele era uma boa pessoa. Quieto, reservado e trabalhador. Fazia de tudo para sustentar a esposa e a filha de 3 anos. Só pedimos justiça para a família dele. Foi muito difícil ver a esposa sentada ali, chorando e gritando”, destacou Elias.
Guerrero, natural da Colômbia, trabalhava como motorista de entregas e vivia com sua companheira e a filha.
Em resposta à recente morte de Guerrero, a comunidade de Biddeford lamenta a perda de um jovem pai de família, enquanto autoridades locais exigem uma investigação completa e imparcial. Manifestantes já começaram a se mobilizar nas ruas da cidade.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) emitiu uma nota quase 12 horas após o incidente, mas a declaração foi considerada vaga, informando que o agente disparou a arma por temer pela segurança pública, sem explicar o motivo pelo qual considerava Guerrero uma ameaça.
Versões contraditórias sobre o alvo da operação surgiram, com o gabinete do senador Angus King afirmando que a vítima não era o alvo do mandado, enquanto em conversas anteriores o senador havia afirmado que Guerrero era o alvo.
No Texas, o promotor do condado de Harris, Sean Teare, iniciou uma investigação própria sobre a morte de Salgado Araujo, emitindo quase 20 intimações para obter provas e depoimentos, uma vez que o governo federal não está compartilhando evidências com os investigadores locais.
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