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Brasil

Baixa produtividade impede redução da jornada de trabalho no Brasil, afirma pesquisador

Baixa produtividade no Brasil impede redução da jornada de trabalho, afirma pesquisador.

23/06/2026 · 00h00 · Atualizado às 04h14
Baixa produtividade impede redução da jornada de trabalho no Brasil, afirma pesquisador

A produtividade por horas trabalhadas no Brasil recuou no primeiro trimestre de 2026, conforme levantamento do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Essa informação reacende o debate sobre a qualidade do crescimento econômico brasileiro e gera dúvidas sobre a viabilidade de uma redução legal da jornada de trabalho no país.

Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV Ibre, destaca que a baixa produtividade é um problema recorrente nas últimas décadas, e isso impacta diretamente na renda da população. Ele afirma:

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“O crescimento da produtividade é o que possibilita um aumento de renda sustentável, o que vai melhorar a condição de vida das pessoas.”

Segundo o pesquisador, a estagnação da produtividade é a razão pela qual a renda per capita dos brasileiros não avança de maneira consistente, mantendo o país como uma economia de renda média.

O debate sobre o fim da escala 6×1, que geralmente é abordado sob a perspectiva do bem-estar do trabalhador, também merece atenção em sua dimensão econômica. Ele explica que, em economias mais produtivas, os ganhos de produtividade por hora tendem a ser divididos entre aumento salarial e redução gradual da jornada de trabalho.

“Em geral, dois terços dos ganhos de produtividade viram aumento de salário e um terço, redução de jornada de trabalho ao longo do tempo,”

detalhou.

No entanto, no Brasil, a produtividade por hora trabalhada cresceu a um ritmo de apenas 0,6% ao ano nas últimas décadas, totalizando pouco mais de 7% em dez anos. O pesquisador alerta que uma redução imediata da jornada de trabalho da ordem de 9% consumiria todo esse acúmulo.

“O ganho de produtividade não tem sido suficiente para cobrir a redução das horas trabalhadas,”

afirmou.

Outro ponto destacado por Barbosa Filho é o possível esgotamento de um modelo de crescimento que depende da expansão do uso do fator trabalho. Ele explica que as empresas optaram por ampliar as horas de trabalho dos funcionários em vez de contratar mais pessoas, indicando que uma boa parte da força de trabalho qualificada já está empregada.

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“O fundamental, numa economia em que a demografia vai começar a gerar problemas porque o fator trabalho vai crescer menos no futuro, é justamente o ganho de produtividade,”

ressaltou.

O pesquisador também listou um conjunto de obstáculos estruturais que contribuem para o baixo desempenho produtivo do Brasil, como burocracia excessiva, infraestrutura deficiente, qualificação insuficiente da mão de obra, sistema tributário confuso e ambiente de negócios desfavorável. Ele mencionou o chamado “custo Brasil” como um fator que corrói a competitividade, mesmo de empresas que são internamente eficientes.

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Fernando de Holanda Barbosa Filho reconhece os avanços recentes, como a reforma tributária, que, segundo ele, está seguindo na direção correta ao reduzir o caos fiscal que aflige as empresas. No entanto, ele defende que o país precisa avançar em educação e na adoção de tecnologia.

“Para que a gente consiga ganhos sustentáveis de produtividade, precisamos melhorar ainda mais a qualidade da mão de obra e, obviamente, utilizar tecnologia mais adequada,”

afirmou.

Ao analisar experiências internacionais, o pesquisador argumenta que a redução da jornada de trabalho deve ocorrer de forma natural, como resultado do aumento de produtividade e preferencialmente por meio de negociações entre empresas e trabalhadores. Ele alerta que uma imposição legal sem respaldo em ganhos de produtividade pode elevar os custos das empresas e provocar aumento da rotatividade.

“Aquele trabalhador que achou que iria ganhar a mesma coisa trabalhando menos possivelmente vai ter que trocar de emprego, vai reduzir o seu salário e outra pessoa vai entrar no lugar dele ganhando menos,”

concluiu. Para ele, reformas estruturais, mesmo que impopulares, são o único caminho para viabilizar, de forma sustentável, tanto o aumento da renda quanto a redução da jornada de trabalho.

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A produtividade por horas trabalhadas no Brasil recuou no primeiro trimestre de 2026, conforme levantamento do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Essa informação reacende o debate sobre a qualidade do crescimento econômico brasileiro e gera dúvidas sobre a viabilidade de uma redução legal da jornada de trabalho no país.

Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV Ibre, destaca que a baixa produtividade é um problema recorrente nas últimas décadas, e isso impacta diretamente na renda da população. Ele afirma:

“O crescimento da produtividade é o que possibilita um aumento de renda sustentável, o que vai melhorar a condição de vida das pessoas.”

Segundo o pesquisador, a estagnação da produtividade é a razão pela qual a renda per capita dos brasileiros não avança de maneira consistente, mantendo o país como uma economia de renda média.

O debate sobre o fim da escala 6×1, que geralmente é abordado sob a perspectiva do bem-estar do trabalhador, também merece atenção em sua dimensão econômica. Ele explica que, em economias mais produtivas, os ganhos de produtividade por hora tendem a ser divididos entre aumento salarial e redução gradual da jornada de trabalho.

“Em geral, dois terços dos ganhos de produtividade viram aumento de salário e um terço, redução de jornada de trabalho ao longo do tempo,”

detalhou.

No entanto, no Brasil, a produtividade por hora trabalhada cresceu a um ritmo de apenas 0,6% ao ano nas últimas décadas, totalizando pouco mais de 7% em dez anos. O pesquisador alerta que uma redução imediata da jornada de trabalho da ordem de 9% consumiria todo esse acúmulo.

“O ganho de produtividade não tem sido suficiente para cobrir a redução das horas trabalhadas,”

afirmou.

Outro ponto destacado por Barbosa Filho é o possível esgotamento de um modelo de crescimento que depende da expansão do uso do fator trabalho. Ele explica que as empresas optaram por ampliar as horas de trabalho dos funcionários em vez de contratar mais pessoas, indicando que uma boa parte da força de trabalho qualificada já está empregada.

“O fundamental, numa economia em que a demografia vai começar a gerar problemas porque o fator trabalho vai crescer menos no futuro, é justamente o ganho de produtividade,”

ressaltou.

O pesquisador também listou um conjunto de obstáculos estruturais que contribuem para o baixo desempenho produtivo do Brasil, como burocracia excessiva, infraestrutura deficiente, qualificação insuficiente da mão de obra, sistema tributário confuso e ambiente de negócios desfavorável. Ele mencionou o chamado “custo Brasil” como um fator que corrói a competitividade, mesmo de empresas que são internamente eficientes.

Fernando de Holanda Barbosa Filho reconhece os avanços recentes, como a reforma tributária, que, segundo ele, está seguindo na direção correta ao reduzir o caos fiscal que aflige as empresas. No entanto, ele defende que o país precisa avançar em educação e na adoção de tecnologia.

“Para que a gente consiga ganhos sustentáveis de produtividade, precisamos melhorar ainda mais a qualidade da mão de obra e, obviamente, utilizar tecnologia mais adequada,”

afirmou.

Ao analisar experiências internacionais, o pesquisador argumenta que a redução da jornada de trabalho deve ocorrer de forma natural, como resultado do aumento de produtividade e preferencialmente por meio de negociações entre empresas e trabalhadores. Ele alerta que uma imposição legal sem respaldo em ganhos de produtividade pode elevar os custos das empresas e provocar aumento da rotatividade.

“Aquele trabalhador que achou que iria ganhar a mesma coisa trabalhando menos possivelmente vai ter que trocar de emprego, vai reduzir o seu salário e outra pessoa vai entrar no lugar dele ganhando menos,”

concluiu. Para ele, reformas estruturais, mesmo que impopulares, são o único caminho para viabilizar, de forma sustentável, tanto o aumento da renda quanto a redução da jornada de trabalho.

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