O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira, 15 de janeiro, a liquidação extrajudicial da antiga Reag Investimentos, atualmente registrada como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., sediada em São Paulo. A medida atinge a instituição financeira envolvida em suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master.
De acordo com nota do BC, a decisão foi motivada por “graves violações” à legislação que rege o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Com a liquidação, os bens dos controladores e ex-administradores, entre eles o fundador e ex-CEO João Carlos Mansur, ficam indisponíveis para evitar dilapidação patrimonial.
Operação Compliance Zero
A liquidação ocorre um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, na quarta-feira (14). Os alvos incluíram ex-executivos da Reag e do Banco Master.
Impacto nos fundos
A Reag atuava principalmente como administradora de cerca de 90 fundos de investimentos. Com a medida do BC, esses fundos continuarão existindo, mas precisarão contratar uma nova gestora para administrar os recursos dos cotistas.
Segmento S4
O Banco Central informou que a CBSF se enquadra no segmento S4 — instituições que representam menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN — e, por isso, estão sujeitas a regras prudenciais simplificadas.
Suspeita de fraude bilionária
As investigações apontam que a instituição administrava fundos usados em um esquema de “ciranda financeira”, com depósitos e saques sucessivos para ocultar o beneficiário final. A fraude pode ultrapassar R$ 11 bilhões e teria desviado recursos do SFN para ampliar o patrimônio de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e de familiares.
Tramitação judicial e questionamentos
O caso, inicialmente analisado pela primeira instância da Justiça Federal, foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido à possível participação de pessoas com foro privilegiado. O relator é o ministro Dias Toffoli, que autorizou as diligências de 14 de janeiro.
Em paralelo, o Tribunal de Contas da União (TCU) avalia abrir inspeção sobre os procedimentos adotados pelo BC na liquidação do Banco Master, instituição também envolvida nas investigações.
O Banco Central declarou que continuará adotando “todas as medidas cabíveis” para apurar responsabilidades dentro de suas competências legais.
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