O BCE manteve as taxas de juros nesta quinta (23), conforme esperado pelo mercado. A autoridade avisou que, com a alta dos preços de energia e a inflação acima da meta, um novo aumento em setembro pode ser necessário.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juros inalteradas nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, como já era esperado pelos analistas do mercado. No entanto, a instituição deixou em aberto a possibilidade de um novo aumento em setembro, devido ao recente aumento dos preços da energia, que ameaça manter a inflação bem acima da meta de 2% estabelecida pelo BCE.
Em junho, o BCE já havia elevado as taxas de juros e sinalizado que futuras aumentos poderiam ser necessários. Contudo, uma série de dados favoráveis relacionados a preços, salários e atividade econômica nas semanas seguintes fez com que a necessidade de uma ação imediata se tornasse menos urgente.
Apesar disso, o aumento dos preços do petróleo, que se aproxima de US$ 100 por barril em meio a tensões renovadas entre os Estados Unidos e o Irã, continua a pressionar o BCE. Economistas e investidores estão atentos e preveem que uma ação será tomada na próxima reunião para evitar que o choque energético leve a uma espiral de preços mais ampla.
Adicionalmente, os preços do gás natural, que estavam relativamente baixos nos últimos meses, também atingiram seus níveis mais altos em mais de três anos, contribuindo ainda mais para a pressão inflacionária. O BCE, em comunicado, ressaltou:
A incerteza permanece elevada e o impacto inflacionário total do choque energético ainda não se manifestou plenamente.
O banco central também destacou que está monitorando de perto a intensidade e a duração do choque energético, além de seus efeitos indiretos. As perspectivas para os preços da energia, embora voláteis, estão atualmente alinhadas com as projeções do Eurosistema de junho e acima dos níveis anteriores ao conflito no Oriente Médio.
Os investidores estão apostando em quase três aumentos das taxas de juros, sendo que o primeiro já está totalmente precificado até outubro e o segundo até fevereiro do ano que vem. No entanto, essa expectativa reflete mais os preços da energia do que os fundamentos econômicos. A maioria dos economistas consultados acredita que a zona do euro, composta por 21 países, precisará de um aperto monetário muito menor para controlar a inflação, que deve oscilar em torno de 3% nos próximos meses, ainda acima da meta de 2%.
Os altos custos da energia tendem a elevar o preço de todos os bens e serviços, levando os trabalhadores a exigir salários mais altos e potencialmente desencadeando uma espiral inflacionária. Contudo, o crescimento salarial tem mostrado sinais de desaceleração, e o mercado de trabalho encontra-se relativamente fraco, especialmente na Alemanha, a maior economia da região. Além disso, as empresas pesquisadas pelo BCE projetam pressões salariais ainda mais moderadas.
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