A edição deste ano do programa Bienal nas Escolas, ação ligada à Bienal do Livro do Rio de Janeiro, passou a ser realizada fora do ano do evento principal e iniciou atividades em clima de Copa do Mundo para estimular o contato de crianças com a leitura. A iniciativa é organizada pela GL Events Exhibitions, responsável pela Bienal, em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).
As atividades começaram em abril na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Oswaldo Cruz, zona norte do Rio. A próxima visita está marcada para 11 de junho, na Escola Municipal Sarmiento, no Engenho Novo, também na zona norte. Segundo os organizadores, a previsão é atingir ao menos seis escolas ao longo do ano.
Quem promove e qual o objetivo
Bruno Henrique, diretor de Marketing e Conteúdo da GL Events, afirmou que a proposta é levar a Bienal até os estudantes porque a escola é ambiente chave para formação do senso crítico e valores educacionais. O projeto busca aproximar crianças dos livros por meio de atividades lúdicas e culturais, entendendo a leitura como entretenimento e instrumento de educação. O tema deste ano é Livros Mudam o Jogo.
Álbum da Copa
Para conectar-se ao clima da Copa, o programa distribui um “álbum de figurinhas” com uma seleção de personagens literários de diferentes tradições, entre eles Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan. As crianças são incentivadas a trocar figurinhas e completar o álbum, estratégia que visa criar um vínculo lúdico com obras e referências literárias.
O projeto deste ano tem patrocínio da OLX e da Accenture e prevê a entrega de 100 livros em cada escola atendida, com objetivo de fortalecer bibliotecas e salas de leitura.
Diálogo com autoras
Na primeira visita, a escritora Kiusam de Oliveira, referência em literatura afrodidática e com mais de 40 anos de atuação como professora, participou de atividades na Escola Municipal Maria das Dores Negrão. Kiusam destacou a importância da representatividade e do estímulo ao imaginário desde a infância, ressaltando que a leitura do mundo antecede a leitura das palavras e que ver-se nos livros ajuda crianças a sonhar e transformar a realidade.

Alunos também deram depoimentos: a estudante Lara Braga, de 10 anos, citou dois títulos de Kiusam que aprecia — Com qual penteado eu vou e Tayó em quadrinhos — e disse que a leitura amplia a imaginação e afasta um pouco o foco das telas.
O próximo encontro programado contará com a presença da escritora Andrea Taubman para conversar sobre seu livro Não me toca, seu boboca!. A seleção de autores é feita em conjunto com as secretarias municipais e estaduais de Educação.
Alcance e resultados
Bruno Henrique informou que, inicialmente, estão previstas visitas a cinco escolas neste ano, beneficiando cerca de 1.000 alunos entre 6 e 10 anos, número que pode aumentar se houver mais apoio da iniciativa privada. Desde 2019, o programa já passou por 25 escolas, com média de 170 alunos por visita; somente em 2025 foram 11 escolas e 2,2 mil alunos atendidos.
Uma pesquisa aplicada nas escolas alcançadas em 2025 apontou aumento de 25% na procura por livros nas bibliotecas municipais e estaduais, resultado que os organizadores consideram indicativo do impacto positivo do projeto nos hábitos de leitura dos estudantes.
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