Mesmo com a crise com a Argentina, o Itamaraty aposta que a nova direita sul-americana adotará postura pragmática diante de Lula. Cita Keiko Fujimori, que afirmou reconhecer diferenças ideológicas.
Apesar da crescente crise diplomática com a Argentina, o governo brasileiro acredita que os novos líderes de direita na América do Sul adotarão uma abordagem pragmática nas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é de que esses líderes não têm interesse em replicar a postura de confronto adotada pelo argentino Javier Milei.
Um exemplo mencionado pelo Itamaraty foi o depoimento da nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, durante um encontro com embaixadores latino-americanos, ainda em sua campanha eleitoral. Relatos indicam que, embora reconhecesse diferenças ideológicas com Lula, Fujimori afirmou que o petista é o único líder na região capaz de unir os países sul-americanos.
“O continente americano enfrenta problemas comuns de natureza transnacional, que só podem ser superados por meio de um trabalho conjunto, respeitoso e soberano”, disse Abelardo de la Espriella, presidente colombiano eleito, ao responder a Lula em suas redes sociais após receber cumprimentos pela vitória nas eleições.
A mensagem de Espriella foi vista como um sinal de apoio à continuidade de políticas comuns na região amazônica e à proteção do comércio bilateral, mesmo diante de eventuais divergências ideológicas.
Fontes diplomáticas destacam que o presidente do Chile, José Antonio Kast, que tomou posse em março, já se reuniu com Lula em duas ocasiões, demonstrando disposição para colaborar com o Brasil. O ex-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, também esteve no Chile para a posse de Kast, ainda que Lula não tenha comparecido ao evento.
Apesar das tensões geradas pela postura de Milei, o governo brasileiro acredita que sua influência na região é limitada e que outros presidentes de direita não seguirão seu exemplo de confronto. O Itamaraty observa que, embora compartilhem do mesmo espectro político, os líderes de direita na América do Sul estão mais inclinados a manter canais abertos e construtivos com o Brasil, sem descartar a busca por boas relações com os Estados Unidos.
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