O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciaram nesta quinta-feira (16) que trabalham para viabilizar uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump “na primeira oportunidade possível”. A declaração foi divulgada após encontro dos dois na Casa Branca, em Washington, que também contou com a presença do representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
No comunicado conjunto, os três classificaram as conversas como “muito positivas” e informaram ter definido uma rota de trabalho para tratar de tarifas aplicadas por Washington a produtos brasileiros e de outros temas bilaterais em aberto.
Tarifas e tensões diplomáticas
As relações entre os dois países ficaram abaladas depois que, em janeiro, o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre itens brasileiros. A medida, segundo a Casa Branca, foi resposta à alegada politização do Judiciário no Brasil e à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Além do aumento das tarifas, Washington adotou sanções financeiras e restrições consulares contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Brasília interpretou as ações como retaliação política.
Próximos passos
Apesar do empenho em agendar o encontro presidencial, ainda não há data nem local definidos. Inicialmente, cogitava-se que Lula e Trump pudessem se reunir durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), no fim de outubro, na Malásia. Conforme explicou Mauro Vieira a jornalistas, contudo, o calendário dos chefes de Estado determinará o momento mais adequado.
A reunião desta quinta-feira representa o primeiro diálogo de alto nível entre Brasília e Washington desde que Trump reassumiu a Presidência dos Estados Unidos, em janeiro. O esforço de reaproximação começou com uma breve conversa entre Lula e Trump, em setembro, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Os governos brasileiro e norte-americano não divulgaram prazo para a conclusão das negociações comerciais nem detalhes sobre possíveis revisões das tarifas.
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