ApexBrasil e Confederação das Indústrias Indianas assinaram memorando para aproximar empresas e ampliar investimentos. O acordo prevê intercâmbio de informações, promoção de feiras e troca de boas práticas.
O Brasil avançou nesta quinta-feira (27) na estratégia de diversificação de parceiros comerciais ao assinar um memorando de entendimento com a Índia. O acordo foi firmado entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas, e tem o objetivo de aproximar empresas, ampliar investimentos e criar oportunidades de negócios entre os dois países.
O documento, assinado na sede da ApexBrasil, em Brasília, prevê intercâmbio de informações sobre os mercados dos dois países, compartilhamento de boas práticas, promoção de feiras e incentivo à internacionalização de pequenas e médias empresas. O acordo não tem caráter vinculante e, portanto, não cria obrigações para as partes.
A proposta busca criar uma base institucional para projetos conjuntos de atração de investimentos e facilitação de negócios, com a meta de contribuir para que o comércio bilateral alcance US$ 20 bilhões até 2030. Em 2025, o comércio entre Brasil e Índia somou US$ 15,2 bilhões; as exportações brasileiras para a Índia em 2025 totalizaram US$ 6,9 bilhões, enquanto as importações de produtos indianos alcançaram US$ 8,4 bilhões.
Comércio Brasil-Índia
- Meta de comércio bilateral até 2030: US$ 20 bilhões
- Comércio Brasil-Índia em 2025: US$ 15,2 bilhões
- Exportações para a Índia em 2025: US$ 6,9 bilhões
- Importações de produtos indianos em 2025: US$ 8,4 bilhões
- Crescimento da relação comercial nos últimos anos: 82%
- Oportunidades para produtos brasileiros identificadas pela ApexBrasil: 378
- Linhas de produtos no acordo de preferências Mercosul-Índia: 450
Atualmente, a Índia é o décimo principal destino das exportações brasileiras, enquanto o Brasil ocupa a 26ª posição entre os fornecedores do mercado indiano. A ApexBrasil identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros no mercado indiano e apoia cerca de 10 projetos estratégicos voltados ao país asiático, incluindo iniciativas ligadas ao agronegócio.
Setores considerados estratégicos foram citados como foco da aproximação: indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes, dispositivos médicos e exploração de minerais críticos. O governo informou que busca ampliar parcerias internacionais nessas áreas, associando projetos à geração de tecnologia nacional.
Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa:
“O Brasil vem buscando diversificar mercados, acessando novos mercados intensamente. A Índia é um exemplo disto: a necessidade de alcançar novos mercados e a necessidade de expandir a relação comercial. Com a Índia, o crescimento é espetacular.”
Sobre mineração e parcerias internacionais, o ministro declarou:
“O Brasil quer ter parceria para a exploração de minerais críticos com todos os países, nunca em detrimento de algum ou para favorecer outro.”
Enquanto amplia a aproximação com a Índia, o governo brasileiro também se prepara para a retomada das negociações com os Estados Unidos, na esteira das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros. Na próxima segunda-feira (31), o ministro Márcio Elias Rosa terá reunião virtual com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O chanceler Mauro Vieira também participará do encontro.
Segundo o ministro, a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, foi decisiva para a reabertura das negociações, sem que o Brasil precisasse apresentar concessões unilaterais antecipadamente. Na reunião de segunda-feira poderão ser discutidas listas de exceções tarifárias e a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade.
O governo afirmou que continuará adotando medidas para proteger empresas brasileiras afetadas pelas sobretaxas estadunidenses, incluindo o programa Brasil Soberano, criado como mecanismo de apoio aos setores impactados. Na avaliação do ministro:
“Negociador pessimista perde. Então eu sou otimista. Agora, é óbvio que vai ser um diálogo difícil. Nós não vamos propor nada que não favoreça o interesse brasileiro. Jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional.”
A estratégia anunciada combina a tentativa de reduzir os efeitos das medidas comerciais dos Estados Unidos com a abertura de novas frentes para exportações, investimentos e cooperação econômica, com a Índia apontada como um mercado prioritário para expandir a presença comercial brasileira.
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