Antes da convenção do PSD, Caiado negou qualquer envolvimento em 'rachadinha, Banco Master, INSS ou Mensalão'. Lançado a candidato na chapa com Kassab, ele criticou Lula e Flávio por seus governos.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou neste domingo (26 de julho de 2026) que nunca se envolveu em “rachadinha, escândalo do Banco Master, INSS e Mensalão”. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas, antes da convenção do PSD que oficializou sua candidatura à Presidência da República, em uma chapa com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. O evento ocorreu na sede da legenda, localizada no bairro Bela Vista, em São Paulo.
Caiado direcionou suas falas para os concorrentes ao Palácio do Planalto: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ele intensificou as críticas aos dois, com o objetivo de conquistar os eleitores indecisos. O ex-governador se descreveu como “um candidato que tem uma vida pregressa, que nunca se envolveu em rachadinha, em mensalão, em petrolão, em escândalo do Master, em assalto aos aposentados no Brasil e outras tantas, tantos escândalos que aconteceram durante todos esses anos em que governa o país”.
“Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão. Ladrão não é representante. Você tem que ter alguém que realmente cumpra todas as exigências necessárias para poder ter essa autoridade para, num 2º turno, debater e mostrar a diferença”, declarou Caiado.
O discurso do candidato visa reforçar sua imagem de moralidade e coragem, contrastando com o que considera falhas dos concorrentes. Essa estratégia busca atrair eleitores que não estão engajados nas polarizações tradicionais.
Flávio Bolsonaro já foi investigado em relação ao esquema de “rachadinha”, que envolve desvio de salários de assessores na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). O caso foi arquivado após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. O senador também foi vinculado ao escândalo do Banco Master, após a divulgação de um áudio onde solicita dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, foi presidente durante o caso do Mensalão, que resultou na condenação de vários integrantes da cúpula do PT. Além disso, seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, foi alvo de investigações na CPMI do INSS, relacionado a um lobista conhecido como “Careca do INSS”.
Ronaldo Caiado, aos 76 anos, tenta recuperar espaço na disputa presidencial, cargo que já concorreu pela primeira vez em 1989. Filiado ao PSD desde março de 2026, após deixar o União Brasil, ele escolheu Gilberto Kassab como vice, visando ampliar a articulação política e fortalecer o partido na corrida ao Planalto. Com uma trajetória de 37 anos na política, Caiado já ocupou os cargos de deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos, e sua família tem um histórico de influência política em Goiás desde o século 19.
Nos últimos meses, o ex-governador aumentou as críticas a Flávio Bolsonaro, especialmente em resposta a declarações do senador sobre as urnas eletrônicas. Caiado afirmou que as declarações do adversário colocam em dúvida o sistema eleitoral brasileiro frente a representantes estrangeiros. Ele ainda argumentou que um eventual voto em Flávio Bolsonaro ajudaria na reeleição de Lula.
A estratégia de Caiado para a candidatura começou a ser elaborada antes do período eleitoral, em diversas ocasiões, ele afirmou que não depende dos votos dos bolsonaristas para a disputa presidencial, defendendo uma candidatura própria voltada ao eleitor de centro-direita e ao setor produtivo. O discurso busca ocupar um espaço entre os eleitores que rejeitam a polarização entre Lula e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Recentemente, uma pesquisa PoderData/Aya, divulgada em 16 de julho de 2026, mostrou Caiado tecnicamente empatado com Lula em um cenário de 2º turno, onde o presidente possui 44% das intenções de voto e Caiado aparece com 43%. No entanto, na simulação de 1º turno, Caiado se distancia dos líderes, com Lula alcançando 40% e Flávio Bolsonaro 34%. Caiado aparece com 4%, ao lado de Romeu Zema, enquanto Renan Santos tem 6% e Augusto Cury, do Avante, 3%. A pesquisa foi realizada entre 12 e 15 de julho de 2026, com 2.400 entrevistas em 685 municípios de todas as 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com um intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o nº BR-00059/2026.
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