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Brasil

Candidaturas femininas crescem 925%, mas eleitas avançam só 210%

Candidaturas femininas à Câmara dos Deputados crescem, mas eleitas seguem baixas.

21/06/2026 · 00h00 · Atualizado às 11h39
Candidaturas femininas crescem 925%, mas eleitas avançam só 210%

Mulheres concorrem cada vez mais à Câmara, mas chegam pouco ao poder. Entre 1998 e 2022, candidaturas explodiram enquanto eleitas saíram de 29 para 90.

O número de mulheres que disputam vagas para a Câmara dos Deputados aumentou significativamente entre 1998 e 2022, com um crescimento de quase 10 vezes, passando de 358 candidatas para 3.668. Esse aumento representa um crescimento de aproximadamente 925%. Apesar desse avanço no número de candidaturas, a quantidade de deputadas federais eleitas subiu de apenas 29 para 90 no mesmo período, uma elevação de 210%.

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Esses dados foram divulgados no Portal da Classe Política, que foi lançado na última terça-feira (16 de junho de 2026) pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nas eleições de 2022, as mulheres conseguiram conquistar 17,5% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 17,8% das vagas nas assembleias estaduais. Esses percentuais representam os maiores índices da série histórica analisada, mas ainda estão aquém da representação ideal de 1/5 do total de parlamentares.

O cenário é similar nas assembleias legislativas estaduais, que tradicionalmente apresentavam maior participação feminina em comparação à Câmara dos Deputados. Atualmente, ambos os níveis de representação se aproximam de 18% de mulheres. Esses números ainda estão longe da paridade de 50% com os homens e do mínimo de 30% exigido para as candidaturas.

De acordo com o estudo, o aumento no número de candidaturas femininas pode ser atribuído à Lei das Cotas de Gênero, que estabelece uma reserva mínima de 30% das candidaturas proporcionais para cada gênero, e à Minirreforma Eleitoral. No entanto, os pesquisadores destacam que essa legislação não garantiu condições equivalentes de competição entre os candidatos.

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O cientista político Nilton Sainz, responsável pelo Portal da Classe Política, aponta que os principais obstáculos para a maior ocupação de vagas pelas mulheres estão relacionados aos mecanismos de poder dentro dos partidos políticos. Sainz destaca que as mulheres enfrentam desigualdade no acesso ao financiamento de campanhas, recebendo menos recursos financeiros em comparação aos homens, que têm mais acesso a valores em dinheiro.

“Outro problema é o número de candidaturas ‘laranjas’ femininas, que são aquelas que não têm viabilidade real de disputar, mas estão lá apenas para cumprir as cotas obrigatórias”, explica Sainz.

A baixa representação feminina no Legislativo, segundo os pesquisadores, impacta diretamente a agenda pública e reduz a discussão de temas cruciais para as mulheres. Sainz menciona que a exclusão das mulheres dos espaços de poder pode levar à diminuição do orçamento para temas como combate à violência de gênero e políticas de saúde.

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“Quando elas são excluídas, suas vozes são silenciadas. Isso afeta diretamente as prioridades legislativas”, finaliza.

Além de dados sobre gênero, o Portal da Classe Política oferece indicadores visuais sobre candidaturas, patrimônio e financiamento de campanhas, abrangendo 14 eleições desde 1998 até 2024. Os usuários podem realizar análises em níveis municipal, estadual e federal, permitindo um melhor entendimento sobre o perfil de candidaturas e dos partidos.

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Mulheres concorrem cada vez mais à Câmara, mas chegam pouco ao poder. Entre 1998 e 2022, candidaturas explodiram enquanto eleitas saíram de 29 para 90.

O número de mulheres que disputam vagas para a Câmara dos Deputados aumentou significativamente entre 1998 e 2022, com um crescimento de quase 10 vezes, passando de 358 candidatas para 3.668. Esse aumento representa um crescimento de aproximadamente 925%. Apesar desse avanço no número de candidaturas, a quantidade de deputadas federais eleitas subiu de apenas 29 para 90 no mesmo período, uma elevação de 210%.

Esses dados foram divulgados no Portal da Classe Política, que foi lançado na última terça-feira (16 de junho de 2026) pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nas eleições de 2022, as mulheres conseguiram conquistar 17,5% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 17,8% das vagas nas assembleias estaduais. Esses percentuais representam os maiores índices da série histórica analisada, mas ainda estão aquém da representação ideal de 1/5 do total de parlamentares.

O cenário é similar nas assembleias legislativas estaduais, que tradicionalmente apresentavam maior participação feminina em comparação à Câmara dos Deputados. Atualmente, ambos os níveis de representação se aproximam de 18% de mulheres. Esses números ainda estão longe da paridade de 50% com os homens e do mínimo de 30% exigido para as candidaturas.

De acordo com o estudo, o aumento no número de candidaturas femininas pode ser atribuído à Lei das Cotas de Gênero, que estabelece uma reserva mínima de 30% das candidaturas proporcionais para cada gênero, e à Minirreforma Eleitoral. No entanto, os pesquisadores destacam que essa legislação não garantiu condições equivalentes de competição entre os candidatos.

O cientista político Nilton Sainz, responsável pelo Portal da Classe Política, aponta que os principais obstáculos para a maior ocupação de vagas pelas mulheres estão relacionados aos mecanismos de poder dentro dos partidos políticos. Sainz destaca que as mulheres enfrentam desigualdade no acesso ao financiamento de campanhas, recebendo menos recursos financeiros em comparação aos homens, que têm mais acesso a valores em dinheiro.

“Outro problema é o número de candidaturas ‘laranjas’ femininas, que são aquelas que não têm viabilidade real de disputar, mas estão lá apenas para cumprir as cotas obrigatórias”, explica Sainz.

A baixa representação feminina no Legislativo, segundo os pesquisadores, impacta diretamente a agenda pública e reduz a discussão de temas cruciais para as mulheres. Sainz menciona que a exclusão das mulheres dos espaços de poder pode levar à diminuição do orçamento para temas como combate à violência de gênero e políticas de saúde.

“Quando elas são excluídas, suas vozes são silenciadas. Isso afeta diretamente as prioridades legislativas”, finaliza.

Além de dados sobre gênero, o Portal da Classe Política oferece indicadores visuais sobre candidaturas, patrimônio e financiamento de campanhas, abrangendo 14 eleições desde 1998 até 2024. Os usuários podem realizar análises em níveis municipal, estadual e federal, permitindo um melhor entendimento sobre o perfil de candidaturas e dos partidos.

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